Morgan Stanley: Eventos de ajuste podem derrubar S&P 500 em 9%, mas oportunidade de compra virá

Destaques
- •Estrategista do Morgan Stanley prevê queda de 9% no S&P 500 devido a eleições, IA e liquidez.
- •Apesar dos riscos, a visão é otimista para o médio prazo, com potencial de recuperação após correções.
- •O mercado acionário pode apresentar oportunidades de compra após ajustes pontuais.
Mike Wilson, principal estrategista de ações dos EUA do Morgan Stanley, alertou que o mercado acionário pode enfrentar alguns “eventos de ajuste” que levarão os preços das ações temporariamente para baixo. Ele estima que o índice S&P 500 possa cair cerca de 9% em relação ao seu último recorde, atingindo 7.100 pontos. Essa projeção considera fatores como as eleições de meio de mandato, preocupações com os gastos em inteligência artificial (IA) e restrições de liquidez. No entanto, Wilson mantém uma visão otimista para o mercado no médio e longo prazo, acreditando que esses ajustes criarão oportunidades de compra para investidores.
Eleições de meio de mandato e o mercado
As eleições de meio de mandato são historicamente um fator de pressão para o mercado, mas o desempenho pós-eleitoral tem sido positivo nos seis a 12 meses seguintes. Wilson ressalta que, embora o período entre novembro e dezembro possa ser volátil, como em 2018, o histórico aponta para uma recuperação. Ele nota que a incerteza em torno das ações do presidente, que promete medidas significativas sem detalhá-las, adiciona um peso adicional.
Sobre o impacto de um Congresso controlado pelos democratas, Wilson acredita que isso já está precificado pelo mercado, com a expectativa de que os democratas conquistem a Câmara e, possivelmente, o Senado por uma margem apertada. Ele pondera que, se a margem for maior, pode haver mais disrupção, com potenciais dificuldades na construção de data centers e aumento da regulamentação. Contudo, ele também vê uma tese de que a resistência política aos data centers, impulsionada pelo discurso “não no meu quintal” (NIMBYismo), pode atingir seu pico neste momento.
Inteligência Artificial e o volume de emissões de ações
Apesar das preocupações com a guerra no Irã, que tem impactado intermitentemente as ações americanas, Wilson está confiante na trajetória futura do S&P 500, projetando que ele possa alcançar 8.000 pontos após a conclusão desses eventos de ajuste. Ele não vê preocupação imediata com o volume de emissões de ações de empresas como Meta, SpaceX e Anthropic, pois o capital está sendo absorvido pela economia em geral, que cresce a um ritmo de 7,5% em termos de PIB nominal. Ele acredita que o mercado está em uma fase mais avançada do ciclo de captação de capital, sugerindo uma pausa nos próximos 30 dias.
Wilson explica que essas empresas estão emitindo ações para investir em crescimento, e não apenas para engenharia financeira. Ele associa a alta dos juros neste ano mais ao forte crescimento econômico do que ao endividamento governamental, embora este último também contribua. A economia em K, onde empresas de qualidade prosperam enquanto as menores enfrentam custos de empréstimo mais altos, é uma dinâmica importante. Ele compara a situação atual com a bolha das empresas de internet, mas nota que o mercado, neste momento, está financiando essas emissões com alta demanda.
Oportunidades para investidores e o futuro do mercado
O mercado acionário tem aceitado a alta dos juros devido ao melhor crescimento econômico. Wilson aponta que, se o PIB nominal cresce 7-10% e os rendimentos dos títulos de 10 anos estão em 5%, a situação é razoável para empresas de qualidade. Ele vê freios naturais no mercado, como o aumento dos spreads de crédito, que desencorajam operações menos viáveis. Para investidores em títulos, os juros reais estão atraentes, alternando entre crédito e ações. A flexibilidade das empresas em emitir dívida ou ações conforme o custo de capital se torna mais vantajoso é vista como um sinal positivo de atenção ao mercado.



