Modelo de crescimento brasileiro se esgota, aponta análise

Destaques
- •Crescimento brasileiro se esgotou por limites na demanda e capacidade produtiva.
- •Taxa de desemprego caiu de 13,5% para 5,5%, mas não há mais margem para queda significativa.
- •Novas reformas são necessárias para aumentar produtividade e mudar foco de consumo para investimento.
O modelo de crescimento econômico brasileiro, que se amparou em fortes estímulos ao consumo e na redução do desemprego, atingiu seus limites. A análise aponta que a combinação que permitiu ao país crescer cerca de 3% ao ano nos últimos anos não é mais sustentável, exigindo uma nova orientação na política econômica.
Pelo lado da demanda, o consumo foi impulsionado por crescentes transferências do governo às famílias e pelo incentivo ao endividamento. Já pelo lado da capacidade produtiva, a redução da taxa de desemprego foi um fator chave. Em 2021, o desemprego era de 13,5%, e atualmente está em 5,5%. Essa queda contribuiu com quase 2 pontos percentuais para o crescimento anual do PIB, mas não há mais espaço para reduções drásticas, pois a taxa já se encontra em níveis historicamente baixos.
Limites na oferta de trabalho e produtividade
A partir de agora, o aumento da oferta de mão de obra dependerá principalmente do crescimento populacional e da parcela da população em idade de trabalhar, ambos projetados em cerca de 0,4% ao ano. Para superar essa limitação e impulsionar o crescimento do produto, a alternativa restante é o aumento da produtividade. No entanto, a produtividade encolheu ao ritmo de 0,3% ao ano desde 2021, um tema que, segundo a análise, tem sido ausente do debate público.
Aumento da dívida e do endividamento familiar
Outros dois limites se tornaram mais evidentes. As transferências do governo federal, em valores corrigidos, saltaram de R$ 1,1 trilhão para R$ 1,5 trilhão, o que contribuiu para a expansão da dívida pública de 77% para 83% do PIB e pressionou as taxas reais de juros. Paralelamente, o comprometimento da renda das famílias com o serviço de suas dívidas aumentou de aproximadamente 26% em 2021 para cerca de 30% em agosto deste ano. Essa situação se reflete no salto da inadimplência, que passou de 4,4% em 2021 para 8% atualmente, apesar de programas como o Desenrola.
Novas orientações para o crescimento sustentável
A superação desses obstáculos exige uma nova direção na política econômica. Uma das propostas é a realização de reformas que aumentem a produtividade do trabalho, com destaque para a liberalização do comércio exterior, visando aproximar o Brasil dos patamares de outros países latino-americanos. Além disso, é fundamental alterar a ênfase da demanda interna, migrando do consumo para o investimento.
Essa mudança de foco passaria pelo ajuste fiscal, especialmente pelo lado dos gastos, o que permitiria a queda dos juros e, consequentemente, o florescimento do investimento. O texto conclui que o crescimento sustentável é possível, mas somente com a implementação de reformas profundas que reestruturem os pilares da economia brasileira.
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