Miriam Leitão sofre mal-estar e alerta sobre vertigem e labirintite

Destaques
- •Jornalista Miriam Leitão teve um mal-estar súbito durante programa ao vivo, relatando "tonteira"
- •O episódio reacendeu o debate sobre vertigem, tontura e a condição específica da labirintite
- •Especialistas recomendam repouso e apoio durante crises, mas alertam para sinais de emergência
A jornalista Miriam Leitão sofreu um mal-estar durante a apresentação do Edição das 18h, na GloboNews, na última quarta-feira (28). Enquanto comentava o cenário político, ela interrompeu o raciocínio e pediu à apresentadora Camila Bomfim que a deixasse se apoiar na bancada. A comentarista relatou estar sentindo "um pouco de tonteira" e, em seguida, retomou os comentários.
Após o episódio, Miriam Leitão explicou ao portal F5, da Folha de S. Paulo, que tem labirintite e apresenta crises ocasionais de vertigem, associando o mal-estar também ao cansaço e às emoções recentes. A situação trouxe à tona a diferença entre os termos "tontura" e "vertigem", frequentemente usados como sinônimos pela população, mas com significados distintos na medicina.
O que é vertigem e tontura?
Segundo o otorrinolaringologista Márcio Salmito, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, "tontura" é um termo genérico que descreve sensações variadas. Uma delas é a sensação de escurecimento da visão ao se levantar rapidamente, frequentemente ligada a uma queda da pressão arterial. Outra sensação descrita como tontura é, na verdade, a vertigem, que se origina em problemas do labirinto, o "sensor de movimentos" do nosso corpo.
Na vertigem, a percepção é de que o ambiente gira ao redor do corpo, ou que o corpo gira em relação ao ambiente. Já a tontura pode se manifestar como a sensação de pisar no vazio ou de queda, conforme informações da biblioteca virtual do Ministério da Saúde. A vertigem também pode vir acompanhada de sintomas como náuseas, vômitos, suor excessivo, perda auditiva e zumbido.
Labirintite: uma condição específica
Apesar de ser popularmente utilizada para qualquer tipo de tontura, a labirintite refere-se especificamente à inflamação do labirinto, que pode ser causada por infecção. O especialista Márcio Salmito esclarece que a labirintite, em seu sentido estrito, é uma condição relativamente rara e grave, diferente de outras doenças que causam vertigem. "Geralmente 99% das vezes em que alguém usa essa palavra ela tem alguma outra doença do labirinto, porque a labirintite é uma infecção muito grave que a pessoa costuma ter uma vez só na vida", explica.
Crises recorrentes de vertigem, como as que Miriam Leitão relata, podem ser causadas por outras condições, como a migrânea vestibular (associada à enxaqueca) ou a doença de Ménière. Essas doenças afetam o ouvido interno e podem ser controladas com tratamento, mas tendem a reaparecer. Gatilhos como estresse, jejum prolongado, café ou chocolate podem desencadear crises em alguns pacientes, mas variam individualmente.
O que fazer durante uma crise?
Durante um episódio de tontura ou vertigem, a recomendação médica é buscar apoio em um local firme, sentar-se e permanecer quieto. Essa atitude ajuda a aliviar os sintomas, seja por queda de pressão ou por problemas labirínticos. Movimentos bruscos devem ser evitados para não intensificar o desequilíbrio e prevenir quedas.
No entanto, essa medida não substitui a avaliação médica. Sinais de alerta como início súbito da tontura, dificuldade para falar, fraqueza em um lado do corpo, visão dupla, incapacidade de caminhar ou dor de cabeça intensa e incomum indicam a necessidade de atendimento de emergência, pois podem ser sintomas de condições graves como um acidente vascular cerebral (AVC).
Episódios recorrentes de tontura ou vertigem também exigem investigação médica para identificar a causa e definir o tratamento adequado, que pode envolver medicamentos, mudanças nos hábitos de vida e acompanhamento especializado.
O que diz a pesquisa
Um estudo publicado na Revista ft em 2026, intitulado "Labirintite: aspectos clínicos, diagnóstico e tratamento", aborda a labirintite como uma condição inflamatória que afeta o labirinto, estrutura do ouvido interno responsável pelo equilíbrio e audição. Os sintomas clínicos incluem vertigem intensa, náuseas, vômitos, instabilidade postural e, em alguns casos, perda auditiva.
A pesquisa, que é uma revisão narrativa da literatura científica, aponta que infecções virais são as principais causas da doença, embora fatores bacterianos, metabólicos e vasculares também possam estar envolvidos. O diagnóstico é predominantemente clínico, complementado por exames otoneurológicos quando necessário. O tratamento envolve medidas sintomáticas, reabilitação vestibular e controle de fatores desencadeantes.
Conclui-se que o manejo apropriado e o diagnóstico diferencial correto são essenciais para reduzir os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Pesquisa citada
- Labirintite: aspectos clínicos, diagnóstico e tratamento
Revista ft · 2026
Matérias originais
- O que causa vertigem, sensação que fez Miriam Leitão passar mal ao vivo · veja.abril.com.br



