Migração para SAP S/4HANA: Atrasos e escopo reduzido marcam projetos

Destaques
- •Quase 60% das migrações SAP estão atrasadas e acima do orçamento, segundo estudo.
- •Redução de escopo ou qualidade é adotada por 68% das empresas para cumprir prazos.
- •Avaliação contínua dos benefícios e gestão de pendências são cruciais para o sucesso.
A migração para o sistema SAP S/4HANA tem sido um desafio para empresas nos últimos anos, com projetos em andamento e operações que já utilizam a plataforma cobrando os ganhos prometidos. A experiência acumulada tem tornado as empresas mais exigentes na avaliação do que foi entregue, o que permanece pendente e se a operação realmente melhorou.
Um estudo da SAPinsider, com 296 participantes consultados entre dezembro de 2025 e março de 2026, revelou que 55% concluíram uma implantação de S/4HANA ou S/4HANA Cloud, mas apenas 34% finalizaram a transição completa. A diferença se dá porque uma implantação pode abranger apenas uma parte do ambiente ou um projeto piloto. A liderança precisa avaliar o avanço da migração considerando o alcance de cada entrega, pois colocar uma unidade em operação, concluir a transição de todos os sistemas e obter os ganhos esperados são marcos distintos.
Adoção com resultados desiguais
O relatório State of SAP Migrations, da consultoria ISG, divulgado em fevereiro de 2026, aponta que quase 60% das migrações SAP estão atrasadas e acima do orçamento. O levantamento, que combina pesquisa com mais de 200 executivos e observações de projetos, identifica a complexidade subestimada, a ampliação do escopo e as limitações de capacidade das equipes internas como principais fatores.
Outra pesquisa, a Business Transformation Unlocked, da Horváth, realizada em janeiro de 2025 com 200 empresas na Europa e EUA, registrou que 68% dos respondentes relataram redução de escopo ou de qualidade para atender aos prazos. Esses ajustes, quando comprometem rotinas essenciais ou eliminam benefícios, exigem uma avaliação de negócio detalhada.
Estabilidade e ganhos na transformação
A preservação dos processos também é um ponto de atenção. Segundo a ISG, 49% das organizações fizeram pouca ou nenhuma reengenharia na migração, mantendo processos e dados legados. Embora essa escolha possa reduzir o impacto da transição, precisa vir acompanhada de um plano para resolver as ineficiências que persistirão no novo ambiente.
O estudo da Horváth destaca que cerca de 73% dos respondentes afirmaram que o valor esperado da transformação foi significativamente superior aos resultados obtidos. Isso reforça a necessidade de uma avaliação contínua da migração após a entrada em produção, acompanhando a realização dos benefícios previstos, como a redução do tempo de fechamento financeiro ou a diminuição do retrabalho.
Próximos passos e gestão de pendências
Durante a transição, a continuidade operacional é fundamental. As áreas de negócio devem participar das validações e conhecer as alternativas de atendimento durante indisponibilidades do sistema. A governança é responsável por definir quem autoriza cada etapa e como serão tratadas as pendências que possam comprometer o funcionamento da empresa.
O parceiro tecnológico tem um papel crucial ao traduzir alternativas técnicas em consequências compreensíveis para a gestão, permitindo que a liderança avalie o projeto com maior clareza. Após a migração, o suporte para ajustes que aproximem o desempenho da operação dos objetivos estabelecidos é essencial. Com a experiência acumulada pelo mercado, a cobrança por resultados deve acompanhar todo o programa, protegendo os benefícios previstos e mantendo sob responsabilidade definida o que ainda falta entregar.
Matérias originais
- A migração SAP precisa justificar o investimento · tiinside.com.br



