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Midterms nos EUA: Democrata ganham Congresso, mas impacto no Brasil é limitado

05 de novembro de 2026
Midterms nos EUA: Democrata ganham Congresso, mas impacto no Brasil é limitado

Destaques

  • •Democratas assumem controle da Câmara e Senado dos EUA após eleições de meio de mandato, mas analistas divergem sobre o impacto na relação com o Brasil.
  • •Tarifas impostas pelos EUA ao Brasil e pressão para distanciamento da China devem se manter, segundo especialistas.
  • •O presidente Donald Trump pode intensificar ações no exterior para compensar a derrota eleitoral interna.

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como midterms, resultaram na vitória do Partido Democrata, que assumiu o controle da Câmara dos Representantes e do Senado. Apesar da mudança na correlação de forças políticas em Washington, analistas divergem sobre o impacto direto na relação entre Brasil e Estados Unidos. As tarifas impostas pelo governo Donald Trump aos produtos brasileiros e a pressão para que o Brasil se afaste da China devem permanecer inalteradas, segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil.

Congresso sob controle democrata: o que muda internamente?

Com a maioria democrata na Câmara e no Senado, o presidente Donald Trump enfrentará maiores dificuldades para aprovar projetos de autoria do Poder Executivo nos próximos dois anos. O Congresso tem a palavra final sobre a aprovação de orçamento, criação e alteração de leis, e nomeações para cargos importantes, como a Suprema Corte e agências federais. A disputa de assentos no Congresso serve como um termômetro da opinião pública sobre o governo federal, e a vitória democrata pode indicar um desgaste do atual presidente.

Os democratas conquistaram 237 cadeiras na Câmara contra 139 republicanas, e 54 no Senado contra 44 do partido de Trump. Essa nova composição terá efeito a partir de 3 de janeiro de 2027. A relação entre o parlamento e a Casa Branca tende a ficar mais conflituosa, com possíveis pedidos de esclarecimentos e projetos de lei contrários à agenda do Executivo.

Impacto limitado na relação Brasil-EUA

Apesar da mudança no Congresso, a política comercial de Trump em relação ao Brasil deve se manter. Especialistas como o economista Otaviano Canuto apontam que o Congresso americano não tem competência institucional para interferir diretamente na política externa. As tarifas impostas, como a taxa de 25% sobre importações brasileiras baseada na Seção 301, e a Lei Magnitsky, que permite sanções a violadores de direitos humanos, são mecanismos de manejo do Executivo e não são fáceis de mudar.

O professor Lucas Leite, da FAAP, concorda que a vitória democrata não anula a agenda trumpista. Ele ressalta que o Brasil não será prioridade para os parlamentares eleitos, que devem focar em políticas internas, como a de deportações. A professora Regiane Bressan, da Unifesp, sugere que as comissões de Relações Exteriores podem intensificar pedidos de esclarecimentos ao Departamento de Estado, mas a reversão das tarifas é improvável.

Trump pode intensificar ações externas?

Alguns analistas sugerem que, sentindo o impacto da derrota eleitoral, Donald Trump pode tentar compensar sua fraqueza interna com um ativismo político mais forte no exterior. O editor de Internacional da BBC, Jeremy Bowen, aponta que o presidente mantém amplos poderes para usar o poderio militar americano. Há especulações sobre possíveis ações contra o Irã, com relatos de planos para bombardear infraestrutura civil, o que poderia gerar uma resposta devastadora do regime iraniano.

A guerra entre Ucrânia e Rússia também é um foco de atenção. Trump tem pressionado o presidente ucraniano a fazer concessões territoriais à Rússia. A porta-voz do Kremlin indicou que a Rússia espera que os resultados eleitorais não afetem os esforços de Trump para alcançar a paz. A possibilidade de Trump intensificar pressões pelo mundo, como no caso do Brasil, é vista como uma estratégia para redobrar sua influência.

Debate entre parlamentares brasileiros

No Brasil, parlamentares divergem sobre o impacto das midterms. O deputado Gilson Marques (NOVO-SC) considera a mudança conjuntural e sem impacto diplomático direto, argumentando que o foco americano deve se voltar para problemas internos. Já o deputado Fábio Felix (PSOL-DF) vê o resultado como um recado histórico contra o trumpismo, com potencial para maior interlocução democrata em temas como meio ambiente, embora reconheça que a política comercial de Trump deva permanecer.

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