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Microsoft supera expectativas com fluxo de caixa e crescimento do Azure

29 de outubro de 2026
Microsoft supera expectativas com fluxo de caixa e crescimento do Azure

Destaques

  • •Microsoft registra US$ 18,6 bilhões em fluxo de caixa livre no 1º trimestre fiscal, superando projeções.
  • •Crescimento de 48% do serviço de nuvem Azure e receita total de US$ 92,28 bilhões impulsionam resultados.
  • •Empresa projeta crescimento contínuo do Azure e busca consolidar IA em larga escala com ofertas acessíveis.

A Microsoft superou as expectativas do mercado no primeiro trimestre fiscal, encerrado em setembro, ao registrar um fluxo de caixa livre (free cash flow) de US$ 18,6 bilhões. Este valor ficou cerca de US$ 10 bilhões acima das projeções de analistas, segundo dados do Visible Alpha. Os resultados impulsionaram as ações da empresa, que subiram mais de 3% no pregão estendido após a divulgação na quarta-feira (28).

O desempenho financeiro robusto da Microsoft contrasta com o de concorrentes como Alphabet e Meta, cujos investimentos massivos em inteligência artificial (IA) pressionaram seus caixas e aumentaram a dependência de captação externa. Enquanto a Microsoft gerou caixa, a Alphabet registrou fluxo de caixa livre negativo de US$ 9,07 bilhões no terceiro trimestre, e a Meta anunciou seu primeiro consumo líquido de caixa em mais de uma década, além da emissão de novas ações.

Crescimento robusto do Azure e projeções futuras

O negócio de nuvem da empresa, o Azure, apresentou um crescimento de 48% no trimestre, superando as estimativas do mercado. A receita do serviço atingiu US$ 33,17 bilhões, acima dos US$ 32,84 bilhões projetados pelo Visible Alpha. A receita total da Microsoft avançou um quinto, alcançando US$ 92,28 bilhões, com lucro ajustado por ação de US$ 4,89, superando a média de US$ 4,73 esperada pelos analistas.

Para o segundo trimestre fiscal, a companhia projeta um crescimento do Azure entre 49% e 50%, acima da estimativa de 47,6% dos analistas. A previsão de receita total para o período está entre US$ 96 bilhões e US$ 97,1 bilhões, também acima dos US$ 95,6 bilhões estimados pelo LSEG.

“O relatório do primeiro trimestre da Microsoft foi tão limpo quanto se pode esperar de uma empresa desse porte”, afirma Jesse Cohen, analista sênior do Investing.com. Ele destaca que o resultado serve como contrapeso à ansiedade gerada pelos gastos em IA da Meta e Alphabet, indicando que a procura por serviços de IA ainda supera a oferta e que os retornos financeiros estão começando a aparecer.

Estratégia de IA e parceria com a OpenAI

O presidente-executivo da Microsoft, Satya Nadella, tem focado em oferecer soluções de IA mais acessíveis para capturar a demanda corporativa, em resposta ao custo crescente da tecnologia. A empresa busca tornar seus produtos, como o Copilot, mais úteis a cada lançamento, consolidando avanços para implantação em larga escala.

Os resultados também refletem o benefício da demanda corporativa por IA, mitigando temores de que a tecnologia ameace o portfólio de software da Microsoft ou que seus ganhos dependam excessivamente da OpenAI. A parceria com o laboratório de pesquisa gerou US$ 10 bilhões em receita no trimestre encerrado em setembro, com projeções de que o valor possa chegar a cerca de US$ 40 bilhões por ano, mantido o ritmo.

No ano fiscal de 2026, a receita da Microsoft com a OpenAI somou US$ 24,1 bilhões. Um acordo firmado em abril de 2026 prevê que a OpenAI continue repassando parte de sua receita à Microsoft até 2030, mesmo podendo trabalhar com outras provedoras de nuvem. A participação da Microsoft na OpenAI caiu de cerca de 25% para 24% em setembro.

Investimentos em capital e o setor de IA

Os gastos de capital (capital expenditure) da Microsoft no trimestre somaram US$ 45,2 bilhões, abaixo da própria projeção da empresa de US$ 50 bilhões, mas acima dos US$ 34,9 bilhões do ano anterior. Jonathan Neilson, vice-presidente de relações com investidores da Microsoft, atribuiu o gasto menor a atrasos logísticos em entregas de capacidade de terceiros.

O setor de IA como um todo deve injetar mais de US$ 700 bilhões em 2026 na construção de data centers e na aquisição de hardware e energia. A Oracle, por sua vez, afirmou que seus gastos de capital devem atingir o pico neste e no próximo ano fiscal, comprometendo-se a não captar mais de US$ 20 bilhões em financiamento adicional para IA até 2030.

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