Meta faz acordo em processo sobre dependência de redes sociais

Destaques
- •Meta, dona do Instagram e Facebook, fecha acordo com jovem que alegava dependência e danos à saúde mental causados pelas plataformas.
- •O acordo, cujos termos não foram divulgados, ocorre em meio a milhares de processos contra empresas de tecnologia por projetarem aplicativos para uso compulsivo.
- •A empresa já havia feito acordos em casos semelhantes e enfrenta outras ações judiciais nos EUA relacionadas à segurança e saúde mental de adolescentes.
A Meta, empresa dona do Instagram e Facebook, fechou um acordo com uma jovem que a acusava de projetar suas plataformas para causar dependência e prejudicar a saúde mental. A jovem também alegou que o uso das redes sociais contribuiu para o desenvolvimento de transtornos alimentares. Os termos e valores do acordo não foram divulgados.
O acerto ocorreu logo após o início da seleção de jurados para um julgamento que investigaria as acusações de duas jovens contra a Meta e a Snap, dona do Snapchat. A Meta já havia chegado a um acordo com uma das jovens dias antes. Com o novo acordo, o julgamento deve prosseguir apenas contra a Snap.
"Continuamos comprometidos em melhorar a segurança das crianças nos aplicativos de redes sociais e em responsabilizar as empresas de tecnologia. Estamos satisfeitos por termos chegado a uma solução justa para nossa cliente", afirmou Emily Jeffcott, advogada de uma das jovens, em comunicado.
O que dizem os processos
Este é o segundo julgamento em um tribunal estadual de Los Angeles sobre alegações de jovens que afirmam ter desenvolvido dependência de redes sociais. Segundo os processos, Meta, Snap, TikTok e YouTube (da Alphabet) teriam desenvolvido seus aplicativos para incentivar o uso compulsivo, dificultando a interrupção do uso.
As duas jovens envolvidas nos processos já haviam fechado acordos com o TikTok e o YouTube. Elas alegam ter começado a usar as plataformas em idades muito jovens e que recursos como reprodução automática de vídeos e rolagem infinita contribuíram para a criação de hábitos compulsivos.
As empresas de tecnologia negam ter projetado suas plataformas para causar dependência em crianças e adolescentes. Elas também afirmam ter implementado medidas para tornar os aplicativos ambientes seguros para expressão juvenil.
O caso de referência e outros processos
O processo em questão foi escolhido entre milhares de ações semelhantes para servir como um caso de referência, o que significa que a decisão dos jurados poderia influenciar a resolução de disputas futuras. No primeiro julgamento do tipo, encerrado em março, um júri de Los Angeles considerou a Meta e o YouTube negligentes e determinou o pagamento de US$ 6 milhões em indenização a uma jovem.
As duas adolescentes cujos casos foram selecionados para julgamento fizeram acordos com as empresas ou desistiram das acusações. O primeiro distrito escolar selecionado para um julgamento também fechou acordos com todas as companhias envolvidas.
Em agosto, a Meta fechou acordos que podem chegar a US$ 18 bilhões com a maioria dos estados e territórios dos EUA para encerrar processos de procuradores-gerais que a acusavam de prejudicar adolescentes. Como parte desses acordos, a empresa concordou em fazer mudanças no Instagram e Facebook para esse público.
O que diz a pesquisa
Um estudo publicado na Revista JRG de Estudos Acadêmicos em 2026, intitulado "Uso problemático de redes sociais e saúde mental em adolescentes: uma revisão integrativa", analisou evidências científicas recentes. A pesquisa, que revisou 22 estudos publicados entre 2021 e 2026, identificou uma associação entre o uso de redes sociais por mais de duas horas diárias e o aumento de sintomas de ansiedade e depressão em adolescentes.
O estudo caracteriza o uso problemático como uma dependência comportamental, mediada pelo medo de estar perdendo algo (FoMO) e pela arquitetura algorítmica das plataformas. O sono foi apontado como o principal mediador biológico dos prejuízos à saúde mental. Além disso, a exposição a conteúdos idealizados impactou negativamente a autoestima e a imagem corporal, com disparidades de gênero e associação a riscos como o cyberbullying.
A conclusão reforça a necessidade de intervenções clínicas e estratégias de letramento digital focadas na qualidade do uso para mitigar os prejuízos à saúde mental juvenil associados ao uso problemático de redes sociais.
Pesquisa citada
- Uso problemático de redes sociais e saúde mental em adolescentes: uma revisão integrativa
Revista JRG de Estudos Acadêmicos · 2026

