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Mercados de previsão dos EUA enfrentam teste em meio a bilhões em apostas nas midterms

04 de novembro de 2026
Mercados de previsão dos EUA enfrentam teste em meio a bilhões em apostas nas midterms

Destaques

  • •Plataformas de apostas eleitorais como Kalshi e Polymarket movimentam mais de US$ 1,48 bilhão em previsões para as eleições de meio de mandato dos EUA.
  • •O setor enfrenta pressão por confiabilidade após erros em eleições passadas e questionamentos sobre manipulação e condutas indevidas.
  • •O desempenho nas midterms será crucial para a reputação e a sustentabilidade desses mercados de previsão.

Os mercados de previsão, plataformas onde pessoas apostam em resultados de eventos, enfrentam um teste crucial com as eleições de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos. Kalshi e Polymarket, que somam mais de US$ 1,48 bilhão (R$ 8,13 bilhões) em apostas eleitorais, precisam provar sua confiabilidade em meio a crescente pressão e escrutínio.

Essas plataformas ganharam notoriedade em 2024 ao contrariar pesquisas tradicionais e preverem a vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos EUA. Desde então, têm sido amplamente divulgadas por veículos de comunicação e investidores globais.

O desempenho nas midterms

Na terça-feira (3), os dados da empresa de análise BetInt indicavam 94% de chance de os democratas conquistarem a maioria na Câmara dos Deputados e 75% de assegurarem o Senado. Apesar de um histórico de acertos, as plataformas também registraram erros significativos, como nas primárias americanas e, mais recentemente, na eleição presidencial brasileira.

Se os resultados das midterms divergirem muito das previsões, a reputação do setor pode ser abalada, especialmente considerando o volume recorde de dinheiro em jogo. Analistas alertam para o risco à credibilidade das plataformas.

Pressão e questionamentos

Além da pressão por resultados precisos, Kalshi e Polymarket enfrentam questionamentos sobre possíveis manipulações e condutas indevidas. Houve casos de candidatos apostando em suas próprias disputas. Um levantamento da Anti-Corruption Data Collective (ACDC) apontou que apostas de pequeno valor podem influenciar esses mercados.

"A terça-feira representa, de fato, um verdadeiro teste para a nova onda de mercados de previsão", afirmou Yesha Yadav, reitora associada da Faculdade de Direito da Universidade de Vanderbilt. Ela acredita que as disputas pelo Congresso medirão o desempenho geral do setor.

Controles e a visão do setor

As plataformas afirmam ter reforçado os controles para evitar irregularidades. A Kalshi, por exemplo, proíbe políticos e membros de campanhas de apostarem em eleições. Ambas as empresas sustentam que os mercados se ajustam rapidamente a apostas de grande valor que alteram as probabilidades.

Sean Patrick Maloney, presidente-executivo da Coalizão para Mercados de Previsão, reconhece que os mercados não são perfeitos. Contudo, ele defende que, "em um mundo cheio de caos e fontes de notícias tendenciosas", eles oferecem uma maneira imparcial de prever eventos.

Bilhões em jogo e a confiabilidade

A Kalshi informou ter movimentado US$ 1,33 bilhão em apostas para as midterms, enquanto a Polymarket registrou cerca de US$ 145 milhões, segundo a ACDC. Mais de 28 mil mercados foram abertos, com concentração de dinheiro em poucas disputas importantes.

Estudos acadêmicos, como um da Universidade de Vanderbilt publicado em 2025, indicam que, em geral, as probabilidades apresentadas por esses mercados são bem calibradas. A calibração mede se as probabilidades correspondem ao que acontece na prática, enquanto a precisão se refere a acertar o vencedor.

No entanto, ressalvas existem. O bom desempenho geral pode não refletir a eficácia em disputas acirradas. Além disso, um pequeno grupo de apostadores experientes, buscando lucro, influencia significativamente esses mercados, ajudando a corrigir preços com base em pesquisas e outros dados.

As plataformas de previsão, como Kalshi e Polymarket, chegaram a atribuir apenas 20% de chance de vitória a Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial brasileira, resultado que se confirmou. Porta-vozes das empresas ressaltam que uma chance de 20% não significa impossibilidade, mas sim que eventos com essa probabilidade ocorrem, e reviravoltas políticas não são diferentes.

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