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Mercado Livre e iFood entram no varejo farmacêutico online

21 de outubro de 2026
Mercado Livre e iFood entram no varejo farmacêutico online

Destaques

  • •Plataformas de marketplace como Mercado Livre e iFood começam a incluir farmácias parceiras, ampliando a concorrência no setor de venda de medicamentos pela internet.
  • •A entrada dessas gigantes digitais pode impactar a logística, a comparação de preços e a relação das redes farmacêuticas com seus consumidores, com ações de empresas do setor já apresentando queda.
  • •A Anvisa está em processo de regulamentação para a contratação de plataformas digitais por farmácias, enquanto o Mercado Livre já foi notificado sobre a venda de medicamentos sujeitos a prescrição.

O Mercado Livre e o iFood iniciaram a inclusão de farmácias parceiras em seus marketplaces, um movimento que intensifica a competição no crescente mercado de venda de medicamentos pela internet no Brasil. Atualmente, as vendas online de medicamentos já representam cerca de 15% do varejo farmacêutico nacional, o dobro do registrado há dois anos. No primeiro semestre deste ano, o setor movimentou R$ 130,2 bilhões, um aumento de 10,1% em comparação com o mesmo período de 2025.

A principal vantagem que as plataformas como Mercado Livre e iFood oferecem é o seu vasto alcance. Em agosto, o Mercado Livre registrou 209 milhões de visitas no Brasil, um número significativamente maior que o de redes farmacêuticas tradicionais como RD Saúde (14,8 milhões), Pague Menos (4,8 milhões) e Panvel (1,5 milhão), segundo dados da Semrush divulgados pelo Banco Safra.

Competição e impacto nas redes farmacêuticas

Para as farmácias, a entrada de grandes marketplaces representa mais do que a chegada de novos concorrentes. Ao venderem por meio de aplicativos próprios, as redes farmacêuticas conseguem manter o controle sobre a oferta, o preço e, crucialmente, a relação direta com o consumidor. No entanto, ao se associarem a plataformas de terceiros, esses produtos tornam-se sujeitos à comparação direta de preços, colocando as redes em uma disputa acirrada por visibilidade e posição.

Essa competição pode ser particularmente relevante em um mercado onde os preços dos medicamentos variam consideravelmente entre estabelecimentos. Além disso, os descontos oferecidos para atrair consumidores aos canais digitais podem se intensificar.

Mudanças na logística e no comportamento do consumidor

A escala das novas plataformas também tem o potencial de transformar a logística de entrega de medicamentos. Os consumidores poderão adquirir remédios juntamente com outros tipos de produtos, beneficiando-se de sistemas de pagamento e frete integrados. O tíquete médio das compras digitais de medicamentos já é superior ao das lojas físicas, alcançando R$ 82,37 no primeiro semestre deste ano, um aumento de 17,6%.

Um fator de influência recente no setor foram as vendas de medicamentos para emagrecimento da classe GLP-1, que movimentaram R$ 3,8 bilhões entre junho e agosto, representando 11% da receita das grandes redes farmacêuticas, conforme a consultoria Close-Up International.

Regulamentação e perspectivas futuras

A Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) já levou o caso à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que iniciou um processo para regulamentar a contratação de plataformas digitais por farmácias. Em setembro, a Anvisa notificou o Mercado Livre sobre a venda de medicamentos sujeitos a prescrição, solicitando informações detalhadas sobre licenças, responsabilidade farmacêutica, conferência de receitas, armazenamento e condições de transporte.

O Itaú BBA estima que os medicamentos possam representar um acréscimo de 5,3% ao volume bruto de mercadorias (GMV) do Mercado Livre no Brasil até 2030. Para as plataformas, essa expansão representa a adição de uma nova categoria de consumo à sua base de clientes. Para as farmácias, a mudança pode significar um canal de vendas adicional, mas também uma maior dependência de plataformas que concentram acesso e dados sobre o consumidor.

Após o anúncio da operação, as ações de empresas do setor já sentiram o impacto: os preços das ações da Pague Menos, da RD Saúde e da Panvel caíram 8,0%, 5,4% e 4,9%, respectivamente.

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