Mercado ignora carta de Flávio Bolsonaro e foca em ministros e juros dos EUA

Destaques
- •Diretora da UBS GWM, Solange Srour, afirma que mercado já virou a página da eleição e não se abala com declarações de Flávio Bolsonaro.
- •A especialista aponta que a turbulência política entre os Poderes e a decisão do Federal Reserve sobre juros nos EUA são fatores mais relevantes para o mercado.
- •O foco agora está na definição dos ministros do novo governo e nas propostas que serão apresentadas ao Congresso.
O mercado financeiro já deixou para trás o período eleitoral e volta suas atenções para a formação do novo governo, com a expectativa de anúncios de ministros e propostas, em vez de se preocupar com declarações como a carta divulgada por Flávio Bolsonaro. Segundo Solange Srour, diretora de macroeconomia Brasil na UBS GWM, a carta em questão não terá impacto nas cotações dos ativos no momento.
Srour explica que a turbulência política entre os Poderes Judiciário, Executivo e Legislativo será uma constante durante o próximo ano, especialmente com a composição de um Congresso mais conservador. Ela ressalta que o governo deveria aproveitar o momento atual para aprovar medidas mais difíceis, enquanto ainda está em um "terreno conhecido", para evitar discussões mais complexas em 2027.
Impacto da polarização e o que realmente importa para o mercado
A diretora da UBS GWM comentou que o movimento de Flávio Bolsonaro, que inicialmente se autodeclarou "presidente eleito" e depois alterou para "líder do Brasil", faz parte da polarização política do país. No entanto, ela enfatiza que o grau de preocupação do mercado e a reação de empresas e ativos dependerão significativamente de quem assumirá a presidência do Senado no próximo ano.
Srour destacou que a decisão do Federal Reserve (FED), o banco central norte-americano, de manter os juros na faixa de 3,75% a 4%, anunciada nesta quarta-feira, e as primeiras entrevistas de possíveis ministros são fatores de maior relevância para o mercado do que a carta de Bolsonaro.
Próximos passos e cenário futuro
A especialista sugere que o governo deveria tratar temas mais sensíveis de forma apaziguadora desde o início, pois medidas que envolvam mudanças constitucionais tendem a ser judicializadas. Ela compara o momento atual a "governar quatro anos em dois meses", indicando a urgência em lidar com pautas importantes.
Apesar da confusão política e jurídica que declarações como a de Flávio Bolsonaro podem gerar, Srour reitera que ele não é o único fator de turbulência. A definição de nomes para o ministério e a clareza sobre as propostas econômicas e políticas do novo governo serão cruciais para direcionar as expectativas e as movimentações do mercado nos próximos meses.



