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Melatonina pode potencializar quimioterapia contra câncer cerebral em estudos preliminares

26 de outubro de 2026
Melatonina pode potencializar quimioterapia contra câncer cerebral em estudos preliminares

Destaques

  • •Pesquisa in vitro sugere que melatonina pode aumentar a eficácia da temozolomida contra glioblastoma.
  • •Estudo aponta que a combinação do hormônio com o quimioterápico apresentou resultados superiores à soma dos tratamentos isolados.
  • •Resultados preliminares precisam de validação em ensaios clínicos para confirmar benefícios em pacientes.

A melatonina, hormônio conhecido por sua função na regulação do sono, está emergindo como uma potencial aliada no combate ao glioblastoma, um tipo agressivo de câncer cerebral. Estudos preliminares em laboratório indicam que a combinação da melatonina com a temozolomida (TMZ), um quimioterápico comumente utilizado no tratamento, pode apresentar um efeito sinérgico, superando a soma dos benefícios de cada substância administrada isoladamente.

O resultado, detalhado em uma pesquisa publicada em 2025, sugere um potencial promissor para complementar as terapias oncológicas existentes. No entanto, é crucial ressaltar que essa associação ainda necessita de rigorosa avaliação em ensaios clínicos com pacientes para que seus benefícios terapêuticos sejam confirmados.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado em 2024 na revista Experimental Oncology investigou os efeitos inibitórios da melatonina (MEL) em combinação com a temozolomida (TMZ) em linhagens de células de glioblastoma e neuroblastoma. Os pesquisadores utilizaram linhagens celulares de ratos (C6) e camundongos (N1E-115), além de células saudáveis de camundongos (C8-D1A). A viabilidade celular foi avaliada pelo teste MTT, e as concentrações inibitórias 50% (IC50) foram determinadas por análise probit. Duas concentrações de TMZ (IC50 e metade da IC50) foram usadas para induzir citotoxicidade, isoladamente e em combinação com paclitaxel (PXT) e melatonina (MEL), todos na concentração IC50. A análise de células viáveis, mortas e apoptóticas foi realizada por citometria baseada em imagem com coloração Annexin V/PI. A expressão gênica relacionada a vias de sinalização foi avaliada por qRT-PCR, e proteínas chave foram identificadas por Western blot. Os resultados indicaram que a melatonina potencializa a apoptose induzida pela temozolomida em células de glioblastoma e neuroblastoma.

Antecedentes da Temozolomida no Glioblastoma

A temozolomida já teve seu papel no tratamento do glioblastoma amplamente estudado. Uma pesquisa de referência publicada em 2005 no The New England Journal of Medicine, liderada por Roger Stupp, comparou a radioterapia isolada com a associação de radioterapia e temozolomida em 573 pacientes de 85 centros de tratamento.

Os resultados demonstraram um benefício significativo da combinação. Após dois anos, a taxa de sobrevida foi de 26,5% no grupo que recebeu radioterapia e temozolomida, em contraste com 10,4% no grupo tratado apenas com radioterapia. Este estudo estabeleceu a temozolomida como um componente importante no tratamento padrão do glioblastoma, embora a melatonina não tenha sido avaliada na ocasião.

Considerações sobre o uso e dosagens

É fundamental notar que as concentrações de melatonina utilizadas em experimentos de laboratório podem ser significativamente mais elevadas do que as produzidas naturalmente pelo corpo humano. Portanto, os achados em culturas de células não implicam que suplementos de melatonina comercializados para auxiliar o sono possuam o mesmo efeito terapêutico contra o câncer.

O uso da melatonina com finalidade oncológica deve ser estritamente discutido e supervisionado por uma equipe médica. Não deve ser considerada como substituta das terapias convencionais prescritas para o tratamento do glioblastoma ou de outras condições médicas.

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