Mariah Rovery: Da praia ao luxo, joalheira repensa produção e expande para casa

Destaques
- •A joalheira Mariah Rovery fechou sua loja no Shopping Iguatemi após nove anos para focar em produção artesanal e peças únicas.
- •A marca expande seu conceito de luxo, que valoriza o tempo e a exclusividade, para objetos de decoração e 'joias para a casa'.
- •A empresária busca inspiração em elementos naturais e garimpados para criar peças que fogem da reprodução em massa.
Aos 37 anos, a joalheira Mariah Rovery decidiu repensar a produção de sua marca homônima, que fundou em 2009. Após nove anos com uma loja no Shopping Iguatemi, em São Paulo, ela fechou o ponto em 2025 para migrar para um ateliê em Pinheiros, com atendimento marcado. A mudança visa um ritmo de trabalho mais artesanal e focado em peças únicas, aproximando-se da alta joalheria.
A inspiração para a criação de joias vem desde a infância de Mariah, quando ela e as irmãs recolhiam conchas na praia para transformá-las em colares e pulseiras. Formada em publicidade, ela trabalhou em empresas como a Sony antes de transformar o impulso criativo em negócio. O capital inicial para a marca, que era de cerca de R$ 4 mil a R$ 5 mil, veio de economias de estágio e de um prêmio de R$ 2.500 de um bingo.
Da loja de shopping ao ateliê: um novo luxo
A decisão de fechar a loja no Iguatemi não significou um encolhimento do negócio, mas sim uma redefinição do que e como produzir. A lógica de operação de shopping foi substituída por um ateliê com atendimento personalizado, mais tempo para pesquisa e uma produção concentrada em peças de caráter único. Cerca de 70% do portfólio da marca já era composto por joias não replicáveis antes da mudança.
Mariah explica que o atendimento com hora marcada permite uma atenção diferenciada, um fluxo de paz e a possibilidade de criar em outro ritmo. Ela afirma que, apesar de ter fechado a loja física, fatura mais do que faturava antes, o que para ela representa o verdadeiro luxo: a liberdade de criar sem excessos.
A busca pela raridade e a expansão para a casa
A busca por valor naquilo que não pode ser reproduzido exatamente da mesma maneira se intensificou após uma experiência na Turquia, onde descobriu suas criações sendo copiadas. A partir daí, ela passou a valorizar pedras brutas e elementos naturais em suas composições, onde a raridade está na impossibilidade de repetição. A linha Gold Label da marca reúne peças com diamantes, esmeraldas e turmalinas, com criações que ultrapassam os R$ 60 mil.
Agora, essa lógica se expande para o universo da decoração. Mariah começou a criar o que chama de “joias para a casa”: objetos escultóricos e peças construídas a partir de materiais garimpados e intervenções em objetos encontrados pelo mundo. Um antigo porta-joias pode receber pedras ou cravações; insetos encontrados em Murano aparecem em peças com rubis; escamas de peixe podem virar ponto de partida para um novo desenho.
Tempo como o novo luxo
Para Mariah, o luxo da nossa geração está mais associado ao tempo e às experiências de vida do que ao preço. Ela observa uma massificação e uma busca por semelhança no mercado, mesmo entre pessoas com alto poder aquisitivo. Para ela, o luxo é poder transformar experiências em coisas mágicas, construir relações verdadeiras com tempo de qualidade e conhecer coisas novas, mesmo que simples.
A empresária relata ter encontrado clientes que compartilham desse pensamento, que confiam em seu trabalho a ponto de trazerem um casulo de borboleta para que ela crie algo a partir dele. A inspiração para suas peças mais valiosas, que podem custar entre R$ 100 mil e R$ 500 mil, vem de pedras especiais garimpadas em feiras em Hong Kong.



