Mamografia detecta câncer de mama em estágio inicial e salva mama de paciente em MG

Destaques
- •Detecção precoce de câncer de mama permitiu cirurgia conservadora e tratamento menos agressivo para paciente em Minas Gerais.
- •A agilidade no diagnóstico e tratamento é crucial para a preservação física e emocional da paciente, além de aumentar as chances de cura.
- •A campanha Outubro Rosa e a busca ativa por exames preventivos são fundamentais para identificar a doença em seus estágios iniciais.
A detecção precoce do câncer de mama, principal causa de morbimortalidade entre mulheres no Brasil, foi crucial para que a faxineira Olandina Elias Ribeiro Ferreira, de 48 anos, moradora de Vespasiano (MG), passasse por uma cirurgia conservadora, preservando sua mama. A alteração foi identificada durante a campanha de Outubro Rosa do ano passado, após a filha de Olandina encontrar uma oportunidade de mamografia gratuita pelas redes sociais do Hospital Orizonti. Sem apresentar sintomas, o exame preventivo revelou uma lesão que, após exames complementares e biópsia, foi confirmada como câncer.
A agilidade no processo, desde o rastreamento até a cirurgia, permitiu que o tumor fosse removido em estágio inicial, evitando a mastectomia total. Olandina relatou que, por o tumor estar pequeno, pôde realizar uma cirurgia conservadora e, desde então, segue em tratamento com sessões de quimioterapia, com a última já agendada.
Intervenção precoce garante tratamento menos invasivo
Segundo a Dra. Kerstin Kapp, coordenadora médica da equipe de mastologia do Hospital Orizonti, a identificação do tumor em estágio inicial é o fator decisivo para um tratamento menos agressivo. Ela explica que isso permite indicar procedimentos menos invasivos, reduzindo significativamente o impacto físico e emocional para a paciente e sua família.
"A agilidade no diagnóstico é o fator decisivo para um tratamento menos agressivo, e trajetórias como a da Dona Olandina provam que a informação e a prevenção transformam os desfechos clínicos", afirmou a mastologista. A paciente, que está em recuperação, reforça a importância de manter os exames de rotina em dia.
Cuidados com a pele durante a quimioterapia
Superada a etapa cirúrgica, o foco se volta para o suporte contínuo durante o tratamento sistêmico, como a quimioterapia. Nesse período, efeitos colaterais como ressecamento, sensibilidade e comprometimento da barreira cutânea exigem atenção dermatológica especializada.
A dermatologista Giselle Sanches destaca que os cuidados com a pele são parte indispensável da saúde integrativa e da manutenção da qualidade de vida. "Os medicamentos antineoplásicos alteram profundamente a estrutura cutânea, deixando a pele vulnerável a irritações e infecções", disse.
O uso de higienizadores suaves, hidratantes restauradores e fotoproteção é recomendado para aliviar desconfortos, fortalecer a barreira de proteção e devolver a autoestima e o bem-estar à paciente. Cremes com vitaminas como B3 (niacinamida) e B5 (pantenol) são indicados por fortalecerem a barreira cutânea e auxiliarem na reparação e hidratação da pele.
Prevenção e conscientização como chave para o sucesso
A história de Olandina evidencia que o enfrentamento ao câncer de mama vai além da remoção do tumor, exigindo agilidade desde o primeiro exame e suporte global à saúde da mulher. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que cerca de 78 mil brasileiras sejam afetadas pela doença anualmente.
Contudo, quando a lesão é identificada nas fases iniciais, os índices de controle e sucesso no tratamento superam 95%. Olandina encoraja outras mulheres a não temerem o exame: "Muitas pessoas têm medo de fazer o exame e encontrar algo, mas o perigo real é a demora. Descobri no começo e hoje estou vencendo essa etapa com a cabeça erguida. Manter os exames de rotina em dia é a nossa maior defesa", concluiu.
O que diz a pesquisa
Um estudo publicado em 2026 na revista Artefactum, intitulado "EFETIVIDADE DA MAMOGRAFIA NA DETECÇÃO PRECOCE DO CÂNCER DE MAMA NO BRASIL", analisou as evidências científicas sobre o tema. A pesquisa, uma revisão integrativa da literatura, buscou compreender os benefícios, limitações e fatores que interferem na qualidade do rastreamento no Brasil.
Os resultados indicaram que a mamografia contribui para a identificação de tumores em estágios iniciais e para a melhoria do prognóstico das pacientes. No entanto, a efetividade do método é comprometida por fatores como cobertura insuficiente do rastreamento, desigualdades regionais e interrupções de serviços, como as decorrentes da pandemia de COVID-19.
Pesquisa citada
- EFETIVIDADE DA MAMOGRAFIA NA DETECÇÃO PRECOCE DO CÂNCER DE MAMA NO BRASIL
Artefactum - revista de estudos interdisciplinares · 2026


