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Lula e Flávio Bolsonaro concordam em quebra mútua de sigilos bancário, fiscal e telefônico

22 de outubro de 2026
Lula e Flávio Bolsonaro concordam em quebra mútua de sigilos bancário, fiscal e telefônico

Destaques

  • •Candidatos à Presidência concordam em abrir sigilos bancário, fiscal e telefônico após desafio em debate.
  • •Acordo inclui dados de familiares e empresas, com destaque para a Alcazar Holdings, ligada a Willer Tomaz.
  • •Documentos devem ser apresentados ao TSE até o fim desta quinta-feira (22.out.2026).

Em um movimento inédito às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) formalizaram um acordo para a quebra mútua e simultânea de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. A decisão foi apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (22.out.2026), atendendo a um desafio lançado por Lula durante debate.

O acordo, que visa aumentar a transparência no processo eleitoral, foi formalizado em um documento conjunto. A proposta inicial de Lula previa a liberação de seus dados e dos de seus parentes referentes aos últimos 8 anos. Em resposta, Flávio Bolsonaro solicitou a ampliação do período para 20 anos e incluiu exigências como a quebra de sigilos de assessores próximos e dados de empresas ligadas a ele e familiares, como a Alcazar Holdings, de propriedade do advogado Willer Tomaz. A campanha de Lula aceitou as condições, mas insistiu na inclusão da Alcazar Holdings, sobre a qual a Polícia Federal encontrou registros que indicam Flávio Bolsonaro como "usuário master" de sua conta bancária.

Condições e Impasses Negociados

A negociação entre as campanhas foi marcada por trocas de exigências e um clima de cautela. A inclusão da Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira e ligada a investigações da PF sobre lavagem de dinheiro, foi um ponto de impasse. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que a campanha de Lula "não cedeu" na exigência, levando a campanha de Flávio a acatar o pedido. A empresa é apontada em documentos da PF como possível indício de participação econômica ou societária de Flávio Bolsonaro.

Por outro lado, Lula concordou com as exigências de Flávio, incluindo a quebra dos sigilos de seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o "Marcola", além da divulgação de gastos com cartões corporativos da Presidência e da agenda da primeira-dama, Janja Lula da Silva. A campanha de Flávio, representada pela advogada Maria Claudia Bucchianeri, condicionou a apresentação de seus dados à análise prévia do material entregue por Lula, com a declaração "Se eles trouxerem tudo, a gente traz".

Análise e Próximos Passos

O senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR), escolhido pela campanha de Flávio para analisar os documentos de Lula, comentou que "a última vez que eu fiz isso, Lula foi parar na cadeia", em referência à sua atuação na Operação Lava Jato. Dallagnol defendeu que a análise dos dados de Lula abranja o período desde 2003, quando o petista assumiu seu primeiro mandato, para "dar um passo um pouco além" dos 8 anos do mandato de senador de Flávio.

O acordo estabelece que ambos os candidatos apresentem a documentação ao TSE até as 23h59 desta quinta-feira (22.out.2026). O ministro André Mendonça, relator do caso na Corte, deverá autorizar a requisição dos dados ao Banco Central, Receita Federal, instituições financeiras e operadoras de telefonia para divulgação pública. A resolução deste impasse ocorre a apenas quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25.out).

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