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Lucro da Berkshire Hathaway cai 28,2% no 3º tri, mas recompra de ações acelera

07 de novembro de 2026

Destaques

  • •Conglomerado de Warren Buffett registra queda de 28,2% no lucro líquido do terceiro trimestre de 2026, totalizando US$ 22,112 bilhões.
  • •Apesar da retração, a Berkshire acelerou a recompra de ações, destinando US$ 9,6 bilhões no período, e encerrou setembro com US$ 377,4 bilhões em caixa.
  • •A companhia, sob o comando de Greg Abel, busca equilibrar a preservação da solidez financeira com novas apostas em inteligência artificial e aquisições.

A Berkshire Hathaway, conglomerado construído por Warren Buffett e atualmente comandado por Greg Abel, registrou uma queda de 28,2% no lucro líquido do terceiro trimestre de 2026, totalizando US$ 22,112 bilhões. Apesar da retração, a companhia acelerou a recompra de ações próprias, destinando US$ 9,6 bilhões entre julho e setembro, e encerrou o mês de setembro com uma reserva de caixa e títulos de curto prazo de aproximadamente US$ 377,4 bilhões.

O movimento de recompra de ações ocorre em meio à transição de comando iniciada em janeiro, quando Greg Abel assumiu o posto de CEO. O executivo vem adotando uma postura mais ativa na alocação de capital, combinando recompras, aquisições e investimentos em empresas ligadas à inteligência artificial. Os resultados do trimestre mostraram um cenário desigual entre os negócios da Berkshire: enquanto os seguros perderam rentabilidade, as divisões de ferrovias e energia apresentaram crescimento.

Lucro operacional e ganhos com investimentos em queda

A queda do lucro líquido refletiu principalmente a menor contribuição dos ganhos com investimentos e o desempenho mais fraco das operações de seguros. Os ganhos com a carteira de investimentos somaram US$ 9,407 bilhões no terceiro trimestre, ante US$ 17,311 bilhões um ano antes. A diferença está associada, sobretudo, à menor valorização das ações mantidas pelo conglomerado.

Por esse critério, o lucro operacional somou US$ 12,705 bilhões, uma queda de 5,8% em relação aos US$ 13,485 bilhões registrados no terceiro trimestre de 2025. Apesar do desempenho trimestral mais fraco, o acumulado do ano permanece positivo. Entre janeiro e setembro, o lucro líquido foi de US$ 57,885 bilhões, e o lucro operacional acumulado chegou a US$ 37,034 bilhões, um crescimento de 8% na comparação anual.

Seguros e Geico pressionam resultados

O principal foco de pressão sobre o lucro operacional foi a divisão de seguros, tradicionalmente um dos pilares da Berkshire Hathaway. O resultado de subscrição de seguros recuou 43% no terceiro trimestre. A Geico, seguradora de automóveis do grupo, enfrentou aumento das perdas com sinistros e das despesas operacionais. A receita líquida de investimentos das seguradoras também diminuiu 14%, para aproximadamente US$ 2,7 bilhões, principalmente em razão da redução das taxas de juros de curto prazo.

O desempenho mais fraco da divisão contrasta com os avanços registrados em outras empresas controladas pela Berkshire, mostrando que a deterioração dos resultados não ocorreu de maneira uniforme dentro do conglomerado. Na BNSF, operadora ferroviária, o lucro avançou 19,3%, e na Berkshire Hathaway Energy, o lucro foi de aproximadamente US$ 1,6 bilhão, crescimento de 8,3%.

Greg Abel acelera recompras e investe em IA

Mesmo diante da queda do lucro, a Berkshire intensificou a compra de suas próprias ações. Os US$ 9,6 bilhões recomprados no terceiro trimestre superaram amplamente os US$ 4,5 bilhões desembolsados entre abril e junho. A companhia havia retomado as recompras no início deste ano, após Greg Abel avaliar que os papéis estavam sendo negociados abaixo de seu valor intrínseco.

O movimento representa uma utilização mais ativa dos recursos financeiros da companhia. O programa de recompras não estabelece um limite máximo, mas determina que não reduza o total de caixa e equivalentes para menos de US$ 30 bilhões. Nos primeiros nove meses de 2026, as recompras totalizaram cerca de US$ 14,4 bilhões.

Além das recompras, Greg Abel ampliou a exposição a empresas de tecnologia e inteligência artificial. A Berkshire destinou cerca de US$ 10 bilhões à Alphabet, controladora do Google, e US$ 930 milhões na italiana Bending Spoons. A manutenção de uma reserva financeira elevada, de US$ 377,4 bilhões, oferece flexibilidade para novas aquisições e aproveitamento de oportunidades de mercado.

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