Lua 'derrete' Júpiter em fenômeno astronômico raro

Destaques
- •Fenômeno de ocultação lunar de Júpiter foi registrado com efeito de 'gota negra' na Malásia.
- •O efeito óptico, causado por limitações de equipamentos, faz o planeta parecer derreter ao desaparecer atrás da Lua.
- •O evento não foi visível no Brasil, mas a conjunção entre Lua e Júpiter pôde ser observada.
Um fenômeno astronômico raro, conhecido como ocultação lunar, ocorreu na segunda-feira (2), quando a Lua passou em frente a Júpiter, encobrindo o planeta. O evento, observável apenas em algumas regiões específicas da Terra, proporcionou imagens surpreendentes, como a registrada pelo astrofotógrafo Shahrin Ahmad em Kuala Lumpur, na Malásia. Nas fotos, Júpiter parece se 'derreter' ao desaparecer atrás da borda lunar, um efeito óptico conhecido como 'gota negra'.
A ocultação lunar acontece quando a Lua, em sua órbita, cruza o caminho visual entre a Terra e outro corpo celeste. A visibilidade deste evento específico foi limitada a nações insulares como Maldivas, Sri Lanka, Seychelles e Maurício, além da Ilha da Reunião. Em partes do sul e sudeste da Ásia e da Oceania, o fenômeno ocorreu durante o dia, dificultando a observação devido à claridade.
O que é o efeito 'gota negra'?
O curioso efeito de 'gota negra' que fez Júpiter parecer derreter é uma consequência das limitações dos equipamentos utilizados na observação astronômica. Segundo Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), nenhum equipamento óptico consegue produzir imagens com foco absolutamente perfeito. Diferenças no ponto focal de diferentes frequências de luz podem gerar imagens secundárias muito tênues, que normalmente não são perceptíveis.
Zurita explica que esse efeito cria uma espécie de 'fantasma' muito fraco. Quando os 'fantasmas' da Lua e de Júpiter se aproximam e se sobrepõem, eles criam uma bolha mais clara que alarga o objeto, dando a impressão de derretimento. O fenômeno ficou conhecido historicamente durante os trânsitos de Vênus no século XVIII, quando observadores chegaram a atribuir a deformação à densa atmosfera do planeta.
Histórico e descobertas científicas
A medição da distância entre a Terra e o Sol foi um dos objetivos científicos importantes associados à observação de trânsitos planetários. O astrônomo Edmund Halley propôs o uso da paralaxe para essa medição, o que levou à organização de expedições globais para acompanhar a passagem de Vênus. Contudo, a deformação causada pelo efeito da gota negra dificultou a identificação precisa dos momentos de entrada e saída de Vênus do disco solar.
A hipótese de que a atmosfera de Vênus era a causa do efeito perdeu força em 1999, quando a sonda TRACE da NASA observou o mesmo fenômeno durante um trânsito de Mercúrio. Como Mercúrio possui uma atmosfera praticamente inexistente, ficou demonstrado que a presença de uma atmosfera densa não era um requisito para a ocorrência do efeito.
Observações pelo mundo
Além do registro na Malásia, outros entusiastas da fotografia astronômica capturaram o evento. Michael Teoh, na Malásia, relatou ter visto duas luas galileanas de Júpiter durante a ocultação. Atharva Maurya, na Índia, registrou um close-up detalhado da Lua e de Júpiter. No Arizona, EUA, Jelieta Walinski fotografou a Lua, Júpiter e Marte juntos. No Canadá, Nishat Khan também compartilhou sua imagem do fenômeno.
No Brasil, a ocultação lunar de Júpiter não foi visível. No entanto, os astros apareceram muito próximos no céu, em uma configuração conhecida como conjunção astronômica, permitindo que o público observasse a proximidade entre a Lua e o gigante gasoso.
Matérias originais
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