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Liderança com amor: CEO defende cuidado e desenvolvimento integral de pessoas

08 de novembro de 2026
Liderança com amor: CEO defende cuidado e desenvolvimento integral de pessoas

Destaques

  • •CEO da Ânima Educação defende que liderança deve priorizar o cuidado e o desenvolvimento integral das pessoas, sem dissociar vida pessoal e profissional.
  • •A executiva ressalta a importância de criar ambientes de trabalho que permitam aos colaboradores expressar suas necessidades e limitações sem medo, promovendo autonomia e confiança.
  • •A matéria aborda a necessidade de as empresas examinarem suas práticas internas, como definição de metas e gestão de erros, para que o bem-estar se torne parte da rotina.

A cultura de uma organização é revelada na forma como lida com as necessidades pessoais de seus colaboradores, como a ausência para cuidar de um filho doente. Para Paula Harraca, CEO da Ânima Educação, o comprometimento de um profissional não deve ser medido pela sua disposição em abrir mão de sua vida pessoal, e o cuidado com o bem-estar deve ser uma decisão da liderança.

A executiva argumenta que os resultados de uma empresa estão diretamente ligados às condições em que as pessoas vivem, trabalham e se desenvolvem. A urgência dessa abordagem é evidenciada pelos mais de 546 mil benefícios por incapacidade temporária concedidos pela Previdência Social em um ano, relacionados a transtornos mentais e comportamentais. Esses números, segundo Harraca, obrigam a uma análise mais profunda sobre os modelos de trabalho atuais.

O papel da liderança no bem-estar

Paula Harraca, que se declara humana e com limitações, defende o autocuidado e a importância de dar o exemplo, reconhecendo a necessidade de pausas, terapia e exercícios. Ela questiona o espaço criado para que outras pessoas reconheçam seus próprios limites, caso a busca por ajuda seja vista como incompatível com posições de liderança.

Programas de bem-estar, para serem eficazes, precisam estar atrelados à análise das práticas organizacionais. O cuidado se manifesta na definição de metas, na distribuição de responsabilidades, na forma como erros são tratados e no apoio oferecido. A qualidade dos relacionamentos e a possibilidade de trabalhar sem medo são essenciais para que o cuidado se integre à rotina.

Amor como princípio de liderança

A CEO enfatiza que as empresas são compostas por pessoas que carregam suas histórias, dificuldades financeiras, condições físicas, laços sociais e sofrimentos emocionais. Esses fatores influenciam a forma como exercem autoridade e recebem críticas. Confundir autoridade com controle ou impedir que a equipe assuma riscos pode ser reflexo de aprendizados passados, onde o respeito ou a aprovação dependiam de tais comportamentos.

Harraca propõe o amor como princípio de liderança, que se traduz em cuidado, respeito e compromisso com o desenvolvimento do outro. Isso inclui estabelecer limites e tomar decisões difíceis, diferenciando cuidado de permissividade. A executiva ressalta a distinção entre exercer poder para controlar e exercer autoridade para ajudar no crescimento.

A substituição da exposição pública de falhas por conversas individuais para entender causas, estabelecer conexões e oferecer apoio é um exemplo prático dessa abordagem. A clareza sobre o que precisa mudar e como seguir em frente é mantida, mas com um foco no desenvolvimento humano.

Autonomia e crescimento

O espaço para escolhas e para a voz dos colaboradores é crucial. Quando uma pessoa pode fazer perguntas, discordar e pedir orientação sem medo, ela encontra melhores condições para aprender e assumir responsabilidades. A autonomia é construída em relações de confiança, com clareza de expectativas e liberdade para trilhar o próprio caminho.

Essa responsabilidade é compartilhada entre líderes e educadores, que devem apoiar o crescimento sem impor desejos. O objetivo é formar profissionais que pensem, façam escolhas e descubram novas possibilidades, e não apenas que executem tarefas ou repitam conteúdos. O compromisso com o bem-estar gera resultados concretos nessas relações.

A medida do que se constrói em uma organização não se limita aos resultados alcançados, mas às condições criadas para que outras pessoas também possam crescer. Desenvolver pessoas significa, antes de tudo, reconhecer e cuidar da vida, da história e do futuro de cada indivíduo.

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