Laboratórios chineses usam IA da OpenAI para treinar modelos concorrentes

Destaques
- •DeepSeek e Moonshot AI usaram respostas do GPT-6 Astra, da OpenAI, para treinar seus próprios modelos de IA.
- •A prática de 'destilação' levanta preocupações sobre disputa tecnológica e violação de propriedade intelectual.
- •Anthropic e OpenAI reforçam defesas contra a extração de dados e identificam campanhas coordenadas.
Dois laboratórios chineses de inteligência artificial (IA), DeepSeek e Moonshot AI, recorreram a respostas do GPT-6 Astra, modelo avançado da OpenAI, para treinar suas versões mais recentes, segundo reportagem do The Information. A prática, conhecida como destilação, consiste em usar as respostas de um modelo de IA para treinar outro, permitindo reproduzir capacidades com menos recursos computacionais.
O modelo Kimi K3.1 Pro e o V4.1-Flash 1017, da DeepSeek, foram apontados como beneficiários de dados do GPT-6 Astra. A Moonshot AI utilizou respostas do Astra durante o desenvolvimento do Kimi K3.1 Pro, lançado recentemente. Já o V4.1-Flash 1017, atualização do modelo V4.1-Flash da DeepSeek, também se beneficiou da técnica.
O que é a destilação de IA?
A destilação é uma técnica onde um modelo de IA maior e mais capaz (o modelo professor) tem suas respostas usadas para treinar um modelo menor e mais eficiente (o modelo aluno). Isso permite que os modelos alunos aprendam a replicar o comportamento e o conhecimento do modelo professor, mas com menor custo computacional e tempo de desenvolvimento.
Empresas como a própria OpenAI e a Anthropic aplicam esse método internamente para criar versões mais rápidas e baratas de seus sistemas. A controvérsia surge quando essa técnica é utilizada por concorrentes sem autorização, especialmente para reproduzir capacidades de modelos proprietários.
Disputa tecnológica e proteções
O uso de sistemas proprietários por concorrentes é alvo de críticas em meio à disputa tecnológica entre Estados Unidos e China. Para extrair informações, os laboratórios podem tentar reproduzir etapas do raciocínio interno dos sistemas, dados que os desenvolvedores não disponibilizam deliberadamente. A coleta de dados úteis para treinamento pode exigir um número de solicitações muito maior do que o usual, além do uso de múltiplas contas para evitar mecanismos de detecção.
Até recentemente, os modelos Claude, da Anthropic, eram os principais alvos desse tipo de atividade. No entanto, a empresa reforçou suas defesas, informando que novas medidas reduziram entre 90% e 99% os dados coletados em ataques de destilação. As proteções dificultam a extração do raciocínio interno do Claude por redes de intermediários, cujo uso viola as políticas da companhia.
Ações da OpenAI e próximos passos
No fim de setembro, a OpenAI identificou e interrompeu uma campanha coordenada de destilação iniciada em julho, associando-a a indivíduos ligados à Moonshot AI. Segundo a empresa, os envolvidos tentaram extrair o raciocínio protegido de seus modelos por meio de interações que tornavam esse conteúdo acessível.
Um porta-voz da OpenAI afirmou que a companhia leva o problema muito a sério e continua aprimorando suas defesas. A Moonshot AI não comentou a reportagem, e a DeepSeek não respondeu ao pedido de posicionamento. O presidente-executivo da DeepSeek, Liang Wenfeng, teria cedido à pressão competitiva após o avanço de modelos concorrentes que também teriam sido desenvolvidos com a técnica de destilação.
Matérias originais
- IAs chinesas usaram dados do GPT-6 Astra para treinar modelos · olhardigital.com.br



