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Kria e SMU unem bases de investidores em parceria inédita de crowdfunding

03 de novembro de 2026
Kria e SMU unem bases de investidores em parceria inédita de crowdfunding

Destaques

  • •Plataformas Kria e SMU Investimentos anunciam união de suas bases de investidores, totalizando 100 mil usuários.
  • •A parceria visa ampliar o alcance das ofertas de crowdfunding, com expectativa de distribuir R$ 80 milhões em 12 meses.
  • •Mudanças regulatórias na CVM podem impulsionar o segmento de equity do crowdfunding, elevando limites de captação.

As plataformas pioneiras de crowdfunding no Brasil, Kria e SMU Investimentos, anunciaram uma parceria inédita que une suas bases de investidores, totalizando 100 mil usuários. Segundo as empresas, não se trata de uma aquisição, mas sim de uma nova divisão de trabalho onde o Kria manterá o registro na CVM e as operações em seu ambiente, enquanto a SMU atuará como parceira principal na promoção das ofertas. A união busca ampliar o alcance das captações e impulsionar o mercado de investimento participativo no país.

A CEO do Kria, Camila Nasser, destacou que a base combinada de 100 mil investidores representa um salto significativo em relação às bases individuais de 60 mil (Kria) e 40 mil (SMU). Ela ressaltou que 15% dos investidores da SMU já utilizavam o Kria, indicando um potencial de expansão de 85% para novas ofertas. "A gente passa a trabalhar operações em uma base de 100 mil", afirmou Nasser.

Divisão de trabalho e escala

Com a parceria, o time da SMU integrará a mesa de originação de novas ofertas do Kria. O sócio Rodrigo Carneiro explicou que a decisão da SMU de reduzir a oferta de seus próprios produtos se deve a dois fatores principais: escala e tecnologia. Ao operar através do Kria, as ofertas atingirão uma base de 100 mil investidores, em contraste com os 40 mil que a SMU alcançava individualmente.

A segunda razão envolve a tecnologia. A SMU concentrou seus esforços de desenvolvimento na Estar Finance, empresa de mercado de balcão vendida à Laqus. Carneiro observou que, embora a plataforma de crowdfunding da SMU seja funcional, ela envelheceu em comparação com a tecnologia mais moderna do Kria. "O Kria é uma plataforma mais moderna", disse.

Novos papéis e expectativas financeiras

O papel de Rodrigo Carneiro na SMU mudará. Ele passará a gerenciar a carteira de investimentos da empresa, que inclui mais de 40 participações em negócios e a participação na Laqus. A SMU se posiciona como uma holding de investimentos, compartilhando seus ativos e investidores com o Kria. A expectativa para a base combinada é distribuir R$ 80 milhões nos próximos 12 meses, com cerca de R$ 20 milhões previstos para os dois últimos meses deste ano, e alcançar R$ 200 milhões anuais a partir de 2028.

Impacto da reforma regulatória

A parceria surge em um momento de expectativa por mudanças regulatórias. A reforma da Resolução CVM 88, em consulta pública, propõe elevar o limite por oferta de R$ 15 milhões para até R$ 50 milhões, eliminar o teto de faturamento das empresas emissoras, incluir securitizadoras e flexibilizar o mercado secundário. Camila Nasser prevê a aprovação da reforma até o fim do ano.

Nasser acredita que a reforma terá um grande impacto no segmento de equity, que perdeu força nos últimos anos. Enquanto ações representavam 95% das emissões em plataformas de crowdfunding até 2023, este ano o percentual caiu para cerca de 3%, com a maior parte sendo renda fixa digital. A executiva espera que a nova regra permita a captação para veículos que funcionem como fundos, injetando "gás novo" no equity crowdfunding.

Rodrigo Carneiro concorda com o diagnóstico, mas aponta que o mercado atual demanda mais renda fixa. Ele considera que o instrumento de crowdfunding se mostrou mais eficaz para dívidas, permitindo emissões ágeis e baratas. "As plataformas se demonstraram uma ferramenta muito boa para emissões de forma ágil e barata, emissões de dívida até mais do que de equity", concluiu.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado na Revista da Procuradoria-Geral do Banco Central em 2022, intitulado "Crowdfunding de Investimento no Brasil em Números e Perspectiva", analisou o acesso ao mercado de valores mobiliários via crowdfunding de investimento desde a sua regulação pela CVM em 2017. A pesquisa, baseada em análise de normas e dados quantitativos e qualitativos entre 2014 e 2020, observou um considerável aumento nos números do crowdfunding a partir de 2017.

No entanto, o estudo apontou baixa diversificação nas regiões do país, no perfil dos investidores e nas atividades em que se investiu. Os setores financeiro, imobiliário e de tecnologia concentraram o maior volume de captação. A pesquisa indicou que a proposta de alteração normativa de 2020 pela CVM não apresentava dispositivos próprios para mudar esse cenário de baixa diversificação, levantando a questão se a modificação regulatória seria suficiente ou se seriam necessárias outras instituições.

Pesquisa citada

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