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Kering, dona da Gucci, vê ações despencarem com queda nas vendas de luxo

23 de outubro de 2026
Kering, dona da Gucci, vê ações despencarem com queda nas vendas de luxo

Destaques

  • •Ações da Kering caíram 12% após divulgação de novas quedas nas vendas do grupo.
  • •Conflitos geopolíticos e medidas fiscais na China pressionam o setor de luxo global.
  • •Executivos se preparam para um inverno difícil, com possível necessidade de redução de preços.

As ações da Kering, conglomerado dono de marcas de luxo como a Gucci, despencaram 12% na sexta-feira após o grupo anunciar novas quedas nas vendas. A recuperação esperada para as marcas de luxo parece distante, impactada pela expansão da guerra no Oriente Médio e por medidas fiscais da China contra os mais ricos, o que pressionou os maiores conglomerados do setor no terceiro trimestre.

Os executivos se preparam para um período desafiador, com a expectativa de um "inverno difícil". A instabilidade em Paris, com distúrbios que afetaram vitrines de luxo, também evidenciou o risco político para as marcas, tanto no exterior quanto em seu próprio país. As ações de outras gigantes do setor, como LVMH e Hermès, também registraram quedas de 1% a 1,5%.

Gucci luta para reverter o declínio

A Gucci continua enfrentando dificuldades para se recuperar, apesar dos esforços do presidente-executivo Luca de Meo para tornar os preços da marca mais acessíveis à classe média. A coleção "Primavera" do diretor criativo Demna, lançada em julho, incluiu peças como um vestido de cristais de US$5.900. As vendas no atacado melhoraram, mas o faturamento total da Gucci caiu 6%.

Segundo a analista Chiara Battistini, do JPMorgan, o progresso na atratividade da marca ainda está em estágio inicial. O diretor financeiro da Kering afirmou que a recuperação será "gradual", com o baixo fluxo de clientes, especialmente na China, sendo o principal desafio.

Outras marcas de luxo mostram sinais de desaceleração

A Kering planeja acelerar o fechamento de lojas, com a meta de encerrar 125 unidades até o final do ano. Enquanto o grupo busca uma recuperação em um cenário econômico desfavorável, até mesmo a Hermès, outra marca de luxo, apresenta sinais de desaceleração. Sua divisão de prêt-à-porter registrou queda de 2% no terceiro trimestre, reflexo da fraca demanda chinesa.

No geral, a Hermès teve seu menor crescimento trimestral de vendas desde 2020. A gestora de carteiras Harsharan Mann, da Aviva Investors, sugere que as marcas de luxo podem precisar reduzir ainda mais os preços para atrair consumidores, questionando se a criatividade será suficiente se os preços permanecerem altos demais.

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