Kering, dona da Gucci, vê ações despencarem com queda nas vendas de luxo

Destaques
- •Ações da Kering caíram 12% após divulgação de novas quedas nas vendas do grupo.
- •Conflitos geopolíticos e medidas fiscais na China pressionam o setor de luxo global.
- •Executivos se preparam para um inverno difícil, com possível necessidade de redução de preços.
As ações da Kering, conglomerado dono de marcas de luxo como a Gucci, despencaram 12% na sexta-feira após o grupo anunciar novas quedas nas vendas. A recuperação esperada para as marcas de luxo parece distante, impactada pela expansão da guerra no Oriente Médio e por medidas fiscais da China contra os mais ricos, o que pressionou os maiores conglomerados do setor no terceiro trimestre.
Os executivos se preparam para um período desafiador, com a expectativa de um "inverno difícil". A instabilidade em Paris, com distúrbios que afetaram vitrines de luxo, também evidenciou o risco político para as marcas, tanto no exterior quanto em seu próprio país. As ações de outras gigantes do setor, como LVMH e Hermès, também registraram quedas de 1% a 1,5%.
Gucci luta para reverter o declínio
A Gucci continua enfrentando dificuldades para se recuperar, apesar dos esforços do presidente-executivo Luca de Meo para tornar os preços da marca mais acessíveis à classe média. A coleção "Primavera" do diretor criativo Demna, lançada em julho, incluiu peças como um vestido de cristais de US$5.900. As vendas no atacado melhoraram, mas o faturamento total da Gucci caiu 6%.
Segundo a analista Chiara Battistini, do JPMorgan, o progresso na atratividade da marca ainda está em estágio inicial. O diretor financeiro da Kering afirmou que a recuperação será "gradual", com o baixo fluxo de clientes, especialmente na China, sendo o principal desafio.
Outras marcas de luxo mostram sinais de desaceleração
A Kering planeja acelerar o fechamento de lojas, com a meta de encerrar 125 unidades até o final do ano. Enquanto o grupo busca uma recuperação em um cenário econômico desfavorável, até mesmo a Hermès, outra marca de luxo, apresenta sinais de desaceleração. Sua divisão de prêt-à-porter registrou queda de 2% no terceiro trimestre, reflexo da fraca demanda chinesa.
No geral, a Hermès teve seu menor crescimento trimestral de vendas desde 2020. A gestora de carteiras Harsharan Mann, da Aviva Investors, sugere que as marcas de luxo podem precisar reduzir ainda mais os preços para atrair consumidores, questionando se a criatividade será suficiente se os preços permanecerem altos demais.



