K-Beauty: Vendas de cosméticos coreanos disparam 347% no Brasil impulsionadas pela Hallyu

Destaques
- •Mercado brasileiro de beleza e cuidados pessoais registra crescimento de 347% em vendas de produtos coreanos em 12 meses.
- •A Hallyu, onda cultural sul-coreana de K-Pop e doramas, é o principal motor do aumento do consumo de K-Beauty no país.
- •Expansão de marcas asiáticas no varejo e indústria brasileira, com novas linhas e importações recordes.
As amigas gaúchas Luana da Silva, de 33 anos, e Patrícia de Jesus Silva, de 35 anos, exemplificam a crescente influência da cultura sul-coreana no Brasil. Em visita a São Paulo para um show da banda BTS, elas aproveitaram para conhecer a loja Jini Cosméticos, especializada em produtos coreanos. A experiência delas reflete uma transformação no mercado brasileiro de beleza, com uma notável ascensão dos produtos asiáticos, especialmente os sul-coreanos.
Nos 12 meses até agosto deste ano, as vendas de produtos coreanos de cuidados para cabelo e pele, proteção solar e maquiagem cresceram impressionantes 347% em valor no Brasil, segundo estudo da consultoria NielsenIQ. Em comparação, o mercado total de beleza e cuidados pessoais no país aumentou apenas 15% no mesmo período. O faturamento com a venda de marcas coreanas de beleza no comércio físico e digital somou US$ 24,7 milhões (R$ 123,7 milhões) no período, embora ainda represente uma pequena fatia de 0,4% do mercado total brasileiro, que movimenta US$ 5,2 bilhões (R$ 26 bilhões).
A Hallyu como motor de consumo
A consolidação da Coreia do Sul como polo de inovação em beleza, com ingredientes como PDRN e retinol, é um dos fatores. No entanto, o principal impulsionador desse avanço é a Hallyu, a onda cultural sul-coreana que popularizou séries (doramas) e música (K-Pop) no Brasil. Essa influência cultural agora se traduz diretamente no consumo, impulsionada pelo K-Beauty e amplificada por influenciadores digitais nas redes sociais, especialmente no TikTok.
“O K-Pop e os doramas ajudaram a tornar o padrão de beleza coreana um objeto de desejo”, afirma Margareth Ikeda Utimura, líder de indústria de higiene e beleza da NielsenIQ. Uma pesquisa da Serasa em parceria com a Opinion Box revelou que quase metade (49%) dos entrevistados gastaram mais do que o planejado com produtos e experiências do universo coreano, sendo que produtos de cuidado com a pele são o primeiro passo para o acesso a essa cultura para cerca de 45% dos respondentes.
Desdobramentos no comércio exterior e varejo
A forte demanda por produtos asiáticos de beleza tem reflexos diretos no comércio exterior. De janeiro a agosto deste ano, a Coreia exportou para o Brasil US$ 64,7 milhões em cosméticos e produtos de beleza, um aumento de 96,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Em volume, as exportações cresceram 128,6%. O Brasil se tornou o maior destino dos produtos coreanos na América Latina, respondendo por 26,6% do total vendido para a região.
Essa demanda impulsionou o nascimento de lojas físicas especializadas, como a Jini Cosméticos, que viu seu movimento aumentar significativamente em dias de eventos coreanos, chegando a mais de mil visitantes em um único dia. Redes varejistas tradicionais também apostaram no segmento, como a RD Saúde com sua loja Raia Conceito, que dobrou o sortimento de beleza, incluindo marcas asiáticas. O e-commerce Época Cosméticos também expandiu sua área de produtos asiáticos, com a meta de alcançar 40 marcas até o final do ano.
Indústria e estratégia de preços
A influência asiática também se estende à indústria. Fabricantes brasileiras e estrangeiras têm incorporado ingredientes asiáticos em suas formulações ou criado linhas produzidas na Coreia. A farmacêutica Cimed lançou a linha Mili, com produtos desenvolvidos e produzidos na Coreia do Sul, com um investimento de R$ 80 milhões. A expectativa é que a Mili alcance R$ 150 milhões de faturamento no primeiro ano.
A estratégia de preços competitivos é outro diferencial. Um acordo entre a Anvisa e o Ministério da Segurança Alimentar e Farmacêutica da Coreia do Sul visa harmonizar regulamentações, o que pode reduzir prazos de importação e, consequentemente, preços. Enquanto um sérum de marca europeia pode custar entre R$ 300 e R$ 500, um produto coreano similar varia entre R$ 190 e R$ 250. A consultora Ana Seccato, da Circana, aponta que marcas coreanas entregam qualidade percebida positiva com preço mais competitivo.
Especialistas alertam para a importância da procedência e registro na Anvisa para evitar produtos falsificados. A aquisição de marcas asiáticas por grandes grupos como a L’Oréal e a busca por diferenciação científica são estratégias para marcas ocidentais reagirem à concorrência.



