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Juros do cartão e cheque especial lideram ranking de crédito mais caro no Brasil

05 de novembro de 2026
Juros do cartão e cheque especial lideram ranking de crédito mais caro no Brasil

Destaques

  • •Cartão de crédito e cheque especial registram as maiores taxas de juros no Brasil, segundo levantamento.
  • •Redução da Selic não garante diminuição imediata dos juros cobrados em empréstimos, aponta especialista.
  • •Governo pode focar em medidas para reduzir o spread bancário, a diferença entre custo de captação e cobrança ao cliente.

O cartão de crédito e o cheque especial lideram o ranking das modalidades de crédito com as maiores taxas de juros no Brasil, conforme levantamento realizado pelo colunista do Estadão, Pedro Fernando Nery. A análise foi divulgada na semana em que o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 13,75% ao ano.

Nery destaca que, apesar da manutenção da Selic, a redução dessa taxa pelo governo não se traduz automaticamente em juros menores para os empréstimos no mercado. Ele sugere que o governo poderia adotar medidas mais direcionadas à redução do spread bancário, que representa a diferença entre o custo de captação de recursos pelos bancos e o valor cobrado dos tomadores de crédito.

O que são os juros mais altos?

As taxas de juros do cartão de crédito rotativo no Brasil podem chegar a 451,7% ao ano, enquanto a modalidade parcelada atinge 193% ao ano. Já o cheque especial apresenta uma média de 139% ao ano.

O spread bancário, que é a diferença entre o custo de captação e o que é cobrado do cliente, é influenciado por diversos fatores, incluindo inadimplência (cerca de um terço do spread), despesas administrativas, tributos e a margem de lucro dos bancos.

Impacto da Selic nos juros

Embora a redução da taxa Selic possa, teoricamente, baratear o crédito, o repasse para os consumidores não é imediato nem integral. Os bancos consideram diversos fatores de risco, como inadimplência e custos operacionais, ao definir as taxas.

Além disso, as taxas de juros de títulos públicos nem sempre acompanham a Selic na mesma proporção. Elas também dependem da percepção de risco dos investidores em relação à capacidade do governo de honrar suas dívidas e do prêmio que exigem para emprestar dinheiro ao Estado. Preocupações fiscais e a incerteza sobre a condução da política econômica podem levar os investidores a exigir um retorno maior.

Próximos passos

Especialistas sugerem que o governo pode focar em políticas que visem a redução do spread bancário para impactar de forma mais efetiva os juros cobrados dos consumidores. Medidas que aumentem a transparência, segurança e concorrência no mercado de crédito também podem contribuir para essa redução.

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