Jovens protestam na Alemanha e França por educação e contra custo de vida

Destaques
- •Milhares de jovens e manifestantes tomaram as ruas da Alemanha e França em protestos neste sábado (30/10) por melhores condições de educação e redução do custo de vida.
- •Na Alemanha, o movimento 'Gen Z regelt' organizou atos em 34 cidades, enquanto na França, manifestações ocorreram pelo terceiro fim de semana consecutivo, com foco em inflação e serviços públicos.
- •As autoridades alemãs alertaram para a possibilidade de grupos extremistas explorarem os protestos, enquanto na França, confrontos com a polícia e detenções foram registrados em algumas cidades.
Milhares de pessoas em toda a Alemanha e França participaram de manifestações neste sábado (30/10), impulsionadas por um movimento liderado por jovens, inspirado por protestos em outras partes da Europa. Os atos exigiram melhor educação e redução do custo de vida, refletindo uma onda de insatisfação geracional em todo o continente.
Protestos na Alemanha: 'Gen Z regelt' em 34 cidades
Na Alemanha, o grupo Gen Z regelt (A Geração Z assume o comando) organizou manifestações em 34 cidades, incluindo Berlim, Frankfurt e Munique. As reivindicações centrais incluem o fim do serviço militar obrigatório e maior investimento em educação, diante das dificuldades enfrentadas pelos jovens com o aumento do custo de vida. Os organizadores esperavam reunir 182 mil pessoas, mas números oficiais indicaram uma participação significativamente menor, com a polícia registrando entre 6 mil e 18 mil manifestantes em algumas cidades.
As autoridades alemãs alertaram para a possibilidade de grupos extremistas explorarem o movimento, embora as manifestações tenham sido, em sua maioria, pacíficas. Incidentes pontuais, como incêndios de barricadas em Hamburgo, foram registrados. A porta-voz do Gen Z regelt, Lina Friedrich, enfatizou a luta pela paz e liberdade, e a necessidade de maior apoio aos sistemas de saúde e educação.
O movimento busca pressionar o governo por respostas às suas preocupações, com jovens como Steve, de 18 anos, expressando frustração com a falta de ação governamental. A iniciativa surge em um momento delicado para a economia alemã, que luta para reativar o crescimento e enfrenta pressão sobre serviços públicos.
França e Itália: Tensão e confrontos marcam manifestações
Na França, este foi o terceiro sábado consecutivo de protestos, com foco em custo de vida, educação e serviços públicos. O Ministério do Interior mobilizou 70 mil policiais para garantir a ordem pública, e o ministro Laurent Nuñez classificou o cenário como de elevado risco de distúrbios. O governo francês afirmou que seria rigoroso contra atos de violência e depredação, com o ministro declarando que a resposta aos infratores seria "firme e republicana".
O governo francês divulgou um balanço de 320 mil participantes em todo o país, com a CGT (Confederação Geral do Trabalho) e organizações juvenis entre os convocantes. No entanto, o Conselho de Estado proibiu um percurso de manifestação em Paris, gerando críticas de sindicatos e estudantes, que mesmo assim orientaram os participantes a seguir o trajeto autorizado. Confrontos entre manifestantes e policiais ocorreram no final da marcha em Paris e em Grenoble, com uso de gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral.
A Itália também vivenciou momentos de tensão, com confrontos entre manifestantes e polícia em Turim e Roma. Em Gênova, trabalhadores portuários, estudantes e outros manifestantes protestaram contra o uso dos portos para transporte de armas. A greve na Itália reuniu mais de um milhão de pessoas em cerca de cinquenta cidades, com pedidos de demissão do governo, salários mais altos e serviços públicos fortes.
Contexto europeu e divisões internas
Os protestos na Alemanha e França seguem uma onda de manifestações lideradas por jovens em toda a Europa. Na Sérvia, o ativismo estudantil contribuiu para a derrubada de um líder de longa data nas urnas. Na Espanha, mais de uma dezena de pessoas ligadas a um movimento de caráter violento, o Blocus, foram detidas sob suspeita de planejar atos de vandalismo.
Na Alemanha, surgiram questionamentos sobre a real liderança dos protestos, com a organização nacional de estudantes do ensino médio, a BSK, distanciando-se da iniciativa "Gen Z regelt". A BSK planeja seu próprio dia de protesto em 20 de novembro, embora sua secretária-geral, Amy Kirchhoff, tenha ressaltado que não se distanciavam das preocupações legítimas dos estudantes. Estudantes como Sean Baker, da Universidade Técnica de Berlim, participaram dos atos para chamar a atenção para o mau estado das instalações universitárias.
Matérias originais
- Protestos da Geração Z chegam à Alemanha; milhares se manifestam · agenciabrasil.ebc.com.br
- Geração Z leva protestos a 34 cidades da Alemanha por educação e custo de vida · infomoney.com.br
- Protestos liderados por jovens mobilizam França e Alemanha neste sábado · operamundi.uol.com.br



