Ameaças e agressões marcam escolas após eleição presidencial

Destaques
- •Estudantes relatam intimidações, ofensas e até ameaças de morte em grupos de WhatsApp e no ambiente escolar devido a divergências políticas.
- •Casos de violência incluem agressões físicas, xingamentos e intolerância religiosa, com jovens temendo retornar às aulas.
- •A diretoria de uma escola transferiu um aluno agressor e suspendeu outro, enquanto a Imepac repudiou atos de intolerância em nota oficial.
A polarização política brasileira tem se estendido ao ambiente escolar, com estudantes relatando uma onda de ameaças, ofensas e agressões motivadas por divergências ideológicas. Casos em escolas do Distrito Federal, Santa Catarina e Araguari, além de um incidente em Fortaleza, evidenciam a escalada da intolerância entre jovens após o resultado das eleições presidenciais.
No Distrito Federal, um estudante de 17 anos recebeu áudios em um grupo de WhatsApp com ameaças de morte, caso votasse em Luiz Inácio Lula da Silva. O agressor, que também ameaçou espancar colegas caso o candidato Flávio Bolsonaro perdesse, proferiu mensagens de intolerância religiosa. A mãe do adolescente, que é transgênero, relatou que ele nunca sofreu transfobia na escola, mas as mensagens de ódio político o fizeram temer o retorno às aulas. A diretoria da escola informou que o aluno agressor foi transferido e o que concordou com as mensagens, suspenso por quatro dias.
Violência se manifesta de diversas formas
Em Itajaí (SC), um vídeo mostrou dois estudantes usando a bandeira do Brasil para agredir colegas vestidos de vermelho, proferindo xingamentos e citando negativamente o programa Bolsa Família. Em Araguari (MG), estudantes de medicina ofenderam colegas bolsistas que votaram em Lula e que vendiam produtos para ajudar nas despesas. O Instituto Master de Ensino Presidente Antônio Carlos (Imepac) repudiou as manifestações de intolerância.
Um estudante de 16 anos no Distrito Federal também relatou ter sido perseguido na escola após declarar voto em Flávio Bolsonaro, chegando a trocar de instituição. A situação parece ter se agravado após o resultado da votação, com relatos de violência aumentando nas redes sociais.
Intolerância atinge até quem não vota
Fora do ambiente escolar, a disputa política também impactou crianças. Em Fortaleza (CE), um menino de 9 anos, autista, que vendia balas para ajudar a avó, foi filmado por uma influenciadora que declarou voto em Flávio Bolsonaro. A influenciadora questionou o voto da família do garoto (Lula) e o fez fazer o "L" com as mãos, rindo e se recusando a comprar os produtos. O vídeo gerou revolta e mobilização para ajudar a família do menino.
A mãe do estudante do Distrito Federal, Aline, lamentou que a ideologia esteja afetando o discernimento dos jovens, transformando frustração em ódio. Ela e o filho não registraram boletim de ocorrência por medo de retaliação e exposição.
Matérias originais
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