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Jovens protestam globalmente contra desemprego, crise climática e custo de vida

08 de novembro de 2026

Destaques

  • •Manifestações juvenis, apelidadas de 'terremoto juvenil', ocorrem em diversos países por motivos que vão além da educação, incluindo desemprego impulsionado pela IA, crise habitacional e emergência climática.
  • •A pressão financeira afeta tanto jovens quanto idosos, com idosos temendo não cobrir custos de vida longa e jovens lutando por estabilidade.
  • •Especialistas sugerem a criação de um novo contrato social para diminuir o abismo patrimonial entre gerações e oferecer apoio mútuo.

Jovens em diversas cidades europeias e ao redor do mundo têm protagonizado protestos, descritos pelo ex-primeiro-ministro britânico Gordon Brown como um "terremoto juvenil". As manifestações, que começaram em Paris e se espalharam por países como Itália, Alemanha, Espanha, Portugal, Indonésia e Argentina, abordam uma gama de preocupações que vão além da educação, incluindo a crise do desemprego impulsionada pela inteligência artificial (IA), o acesso restrito à educação, a escassez de moradia acessível, a poluição e a austeridade econômica.

O que motiva a "revolta juvenil"

Gordon Brown, em artigo publicado no The Guardian, destaca que os jovens de hoje enfrentam um cenário global mais perigoso. Eles são impactados pelo direcionamento dos gastos públicos para as gerações mais velhas, o que resulta em perdas para escolas e universidades. Além disso, a crise de emprego, agravada pela IA, e a dificuldade em poupar para a própria velhice geram um sentimento de que as promessas de uma vida melhor do que a de seus pais foram quebradas.

As manifestações têm diversas pautas específicas: na Bélgica, Áustria e Grécia, o financiamento da educação foi o gatilho; na Alemanha, a ameaça de serviço militar obrigatório; na Espanha e em Portugal, a falta de moradia a preços acessíveis; na Indonésia, a poluição; e na Argentina, a austeridade econômica. Na Sérvia, um movimento estudantil conquistou um mandato eleitoral, e no Reino Unido e Itália, protestos contra o aumento do custo da educação estão planejados.

A pressão financeira intergeracional

A jornalista MP Dunleavey, da revista do Centro de Longevidade de Stanford, aponta que a pressão financeira decorrente do aumento da expectativa de vida afeta tanto jovens quanto idosos. Os mais velhos temem não conseguir cobrir os custos de vidas mais longas e não querem ser um fardo para seus filhos. Ao mesmo tempo, os jovens enfrentam dificuldades para alcançar estabilidade financeira.

Nos Estados Unidos, os baby boomers (nascidos entre 1946 e 1964) detêm cerca de 51% do patrimônio familiar, enquanto a Geração X possui 26% e os Millennials, apenas 11%. Esses grupos mais jovens lutam para poupar para sua própria aposentadoria.

Propostas para um novo contrato social

O professor James Chappel, da Universidade Duke, sugere uma revisão das regras sobre envelhecimento, patrimônio e relações intergeracionais. Ele argumenta que o modelo atual, pensado para uma época em que a velhice era um capítulo final mais curto, não se sustenta em uma sociedade onde as pessoas vivem até os 80 e 90 anos, muitas vezes com condições crônicas e despesas elevadas.

Em vez de isolamento, Chappel propõe um novo pacto social que contemple apoio mútuo, oferecendo proteção aos idosos e uma rede de suporte para os mais jovens, reestruturando o trabalho, a aposentadoria e o envelhecimento. Essa abordagem visa diminuir o abismo patrimonial entre as gerações e criar um sistema mais sustentável para todos.

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