Economia & PolíticaRelevância BR: 3/10

Jovens lideram onda de protestos na Europa com pautas econômicas e sociais

01 de novembro de 2026
Jovens lideram onda de protestos na Europa com pautas econômicas e sociais

Destaques

  • •Manifestações com forte participação jovem varrem França, Alemanha e Itália, impulsionadas pelo custo de vida e precariedade de serviços.
  • •Na Sérvia, protestos estudantis levaram à derrota eleitoral do partido que governava o país desde 2014.
  • •Impactos econômicos na França já superam 1 bilhão de euros em perdas para o varejo, com lojas de luxo entre as mais afetadas.

Uma onda de protestos liderada principalmente por jovens tem varrido a Europa, com manifestações, confrontos com a polícia e episódios de vandalismo registrados em países como França, Alemanha e Itália. Embora as motivações variem, as mobilizações compartilham reivindicações relacionadas ao aumento do custo de vida, à precariedade dos serviços públicos e à insatisfação com os governos. Na Sérvia, o movimento estudantil alcançou uma dimensão política significativa, com candidatos apoiados por jovens derrotando nas urnas o grupo do líder Aleksandar Vucic, que dominava a política do país desde 2014.

França: protestos pressionam Macron e afetam o comércio

A França tem sido um dos principais focos da onda de manifestações. Os protestos, que começaram com estudantes insatisfeitos com as condições de ensino, expandiram-se para incluir sindicatos e o movimento dos Coletes Amarelos. As reivindicações incluem medidas contra o alto custo de vida, preços de combustíveis e inflação, além de melhorias nos serviços públicos. Manifestações anteriores registraram distúrbios e saques, com danos a lojas, prédios públicos e empresas. No último sábado (31), cerca de 320 mil pessoas participaram dos atos em todo o país, com confrontos registrados no encerramento das marchas em cidades como Paris, Lyon e Toulouse.

As autoridades reforçaram a segurança para evitar novos episódios de violência. O impacto econômico para o varejo francês já ultrapassa 1 bilhão de euros, com lojas de marcas de luxo como Hermès, Louis Vuitton e Burberry entre os estabelecimentos atingidos. A instabilidade ocorre em um momento delicado para a economia francesa, com a agência Fitch revisando para negativa a perspectiva da dívida do país, que se aproxima de 120% do Produto Interno Bruto (PIB).

Alemanha e Itália: Geração Z e diversidade de pautas

Na Alemanha, o grupo Gen Z regelt (A Geração Z assume o comando) convocou manifestações em 34 cidades, com pautas como maiores investimentos em educação, redução do custo de vida e oposição ao serviço militar obrigatório. A adesão, no entanto, ficou abaixo das expectativas. Empresas em avenidas comerciais de luxo, como a Kurfürstendamm em Berlim, protegeram suas vitrines.

Na Itália, uma greve na sexta-feira (30) levou mais de um milhão de pessoas às ruas em cerca de 50 cidades. Manifestantes, incluindo estudantes, sindicatos, trabalhadores portuários e agricultores, cobraram salários mais altos, fortalecimento dos serviços públicos e mudanças nas políticas governamentais. Houve confrontos em Turim e Roma, e protestos contra o transporte de armamentos em Gênova.

Sérvia: vitória eleitoral impulsionada por protestos estudantis

Na Sérvia, a mobilização estudantil contra a corrupção e por mudanças institucionais resultou na derrota eleitoral do partido de Aleksandar Vucic, que governava o país desde 2014. Candidatos apoiados pelo movimento estudantil conquistaram 52,7% dos votos, garantindo 139 das 250 cadeiras do Parlamento, enquanto a aliança de Vucic obteve 39,2%.

O movimento teve origem em protestos após o desabamento de uma cobertura de estação ferroviária que deixou 16 mortos. A derrota de Vucic provocou comemorações em Belgrado e em outras cidades.

O que está por trás da onda de protestos na Europa?

Apesar das diferenças locais, os protestos europeus expõem uma insatisfação generalizada com a capacidade dos governos em lidar com problemas econômicos e sociais, como o custo de vida, a precariedade dos serviços públicos e a corrupção. A violência em algumas manifestações representa um desafio para as autoridades, que buscam garantir o direito de protesto sem permitir que grupos envolvidos em vandalismo se aproveitem das mobilizações. A pressão sobre os governos europeus continua, com novas mobilizações estudantis previstas.

Receba as Melhores Notícias

Assine nossa newsletter e receba diariamente as notícias mais relevantes, sem viés político.

Edição matinal diária às 07:00 • 7 minutos de leitura • Gratuita.

Notícias Relacionadas