Jornalistas usam redes sociais e criam "newsfluencers" para engajar audiência

Destaques
- •Jornalistas como Mari Palma e Victoria Derbyshire ampliam alcance com estratégias de influenciadores digitais.
- •Pesquisadores apontam que "newsfluencers" constroem credibilidade pela autenticidade e proximidade, desafiando modelos tradicionais.
- •Grandes empresas de mídia criam "estúdios de creators" para atrair e formar seus próprios influenciadores digitais.
Jornalistas de diferentes veículos e países estão cada vez mais utilizando plataformas de redes sociais, como TikTok e Instagram, para ampliar sua presença e engajar o público. A jornalista da BBC, Victoria Derbyshire, acumula mais de meio milhão de seguidores no TikTok com vídeos sobre notícias de última hora. No Brasil, apresentadores como Mari Palma, da CNN, também marcam presença nessas redes, transformando seus perfis em espaços de conexão com os internautas.
Essa tendência, observada pelo pesquisador australiano Edward Hurcombe, vai além do simples uso das redes sociais, configurando um movimento de jornalistas que incorporam práticas de influenciadores digitais. A comunicadora Cecilia Flesch destaca a importância fundamental das redes sociais para jornalistas e comunicadores atualmente, não apenas para construir audiência, mas também como ferramentas de trabalho para pesquisa e acompanhamento da repercussão de fatos.
O fenômeno "newsfluencer"
Edward Hurcombe, autor do estudo "Conceitualizando Newsfluencers", observa que a linha entre jornalistas e influenciadores digitais pode se tornar nebulosa. Ele explica que a distinção aparece quando práticas típicas de influenciadores, como a produção de conteúdo visando monetizar audiências online, passam a fazer parte do trabalho jornalístico.
Essa adaptação inclui a busca por uma linguagem menos formal e mais acessível a todos os públicos. Jornalistas como Cecilia Flesch buscam canais que promovam debates de forma leve, enquanto Mari Palma se alimenta da criatividade de criadores que experimentam novos formatos para manter a atenção do público.
Adaptação e credibilidade
O pesquisador Vasco Avides Moreira sugere que organizações jornalísticas podem aprender com as estratégias de criadores de conteúdo, especialmente no uso da criatividade e formatos para captar atenção e promover compreensão. O desafio é adaptar essas estratégias sem abdicar do rigor jornalístico.
A construção da credibilidade também difere: enquanto a mídia tradicional se apoia na reputação institucional, os "newsfluencers" a constroem a partir da própria identidade e da percepção de autenticidade. Moreira aponta que muitos jovens valorizam informação credível, mas buscam formas de comunicação mais alinhadas com as lógicas das plataformas digitais.
Novos modelos de negócio
Grandes empresas de mídia estão se adaptando, criando "estúdios de creators" para atrair e formar seus próprios influenciadores. Exemplos como CNN Creators e BBC Creator Lab mostram a tentativa de aproveitar o apelo dos "newsfluencers".
Empresas como ABC News e Guardian Australia produzem conteúdos em formatos explicativos para plataformas como TikTok e Instagram, com um tom autêntico e informal. O Washington Post no TikTok também é citado como exemplo de aproveitamento da linguagem e formatos da plataforma.
Hurcombe aponta que o desafio para os "newsfluencers" pode ser manter a independência e autenticidade ao trabalhar para grandes empresas. Cecilia Flesch relata ter mais autonomia em seu canal próprio do que na mídia tradicional. Mari Palma, por outro lado, afirma ter liberdade criativa mesmo compartilhando sua presença digital com a CNN.
Vasco Moreira conclui que "newsfluencers" ocupam um vazio relacional, sinalizando a necessidade do jornalismo repensar sua relação com audiências jovens. O desafio futuro será compreender como essas diferentes formas de produção e circulação de informação podem coexistir para uma sociedade mais informada.
Matérias originais
- Influenciadores de notícias impactam a mídia tradicional · estadao.com.br



