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Jornalista critica oposição israelense por excluir partidos árabes

01 de novembro de 2026
Jornalista critica oposição israelense por excluir partidos árabes

Destaques

  • •Jornalista israelense Gideon Levy critica a oposição a Netanyahu por resistir à formação de um governo com partidos árabes.
  • •A exclusão dos partidos árabes, que detêm 19 cadeiras, impede a oposição de formar maioria no Parlamento israelense.
  • •A resistência em incluir os árabes na política é vista por Levy como um fator que contribui para a continuidade do conflito em Gaza.

O jornalista israelense Gideon Levy criticou a resistência dos partidos de oposição a Benjamin Netanyahu em formar um governo com a participação de partidos árabes, apesar de essa aliança representar uma possibilidade de constituir maioria no Parlamento de Israel. Em artigo publicado no jornal Haaretz, Levy relaciona a resistência à participação árabe na política israelense à continuidade do conflito em Gaza.

Levy aponta contradições no posicionamento dos setores políticos que se apresentam como alternativa ao atual governo israelense. Ele questiona a oposição sobre sua postura em relação ao serviço militar obrigatório e à participação de cidadãos árabes no governo. "Deixe-me entender. Você quer me dizer que a esquerda é favorável ao serviço militar obrigatório universal, a direita é contra, e a esquerda também é contra a participação de árabes no governo?", questiona o jornalista.

O resultado eleitoral e a formação do governo

As análises de Levy se referem ao resultado das eleições parlamentares de terça-feira (27/10), que deixou indefinida a formação do próximo governo. O bloco ligado a Netanyahu conquistou 53 das 120 cadeiras na Knesset, a Assembleia Legislativa unicameral de Israel, enquanto os partidos de oposição, liderados por Gadi Eisenkot, obtiveram 48. Os dois partidos árabes, Ra’am e Lista Conjunta, conquistaram juntos 19 cadeiras.

Com a incorporação desses representantes, a oposição poderia alcançar 67 parlamentares, acima dos 61 necessários para uma maioria na Knesset. Para Levy, a dificuldade de estabelecer uma aliança com os partidos árabes demonstra que o sionismo é o limite da oposição israelense. "Os adversários de Netanyahu não querem utilizar sua maioria de 67 cadeiras", destaca.

A exclusão dos árabes e o conflito em Gaza

O jornalista questiona a disposição dos adversários de Netanyahu de aceitar a participação política dos cidadãos árabes, mesmo quando seus votos são decisivos para a formação de uma maioria parlamentar. "Quando se trata de excluir os árabes e fazer mais guerra, quase todos estão de acordo", escreve Levy, ao não poupar a esquerda israelense de críticas ao que acusa de "convivência com o genocídio em Gaza".

Levy também aponta contradições da oposição em outros temas da política israelense como empecilhos ao enfrentamento a Netanyahu. Entre elas, a defesa do serviço militar obrigatório para todos os cidadãos e cidadãs, em contraste com a resistência da direita nacionalista à medida, que atingiria especialmente os judeus ultraortodoxos.

Reações e próximos passos

A postura da oposição contra a aliança levou a manifestações em diferentes cidades israelenses. No sábado (31/10), milhares de pessoas foram às ruas de Tel Aviv, Jerusalém, Haifa e outras localidades para defender a formação de um governo com participação árabe. Em atos separados, sionistas apoiadores de Netanyahu protestaram contra essa possibilidade.

Os resultados eleitorais colocaram os partidos árabes em posição decisiva nas negociações para a formação do próximo governo. O Ra’am, liderado por Mansour Abbas, e a Lista Conjunta ofereceram apoio parlamentar para afastar Netanyahu do governo, mas defendem uma parceria política em condições de igualdade. Três dos quatro partidos do bloco de Eisenkot assumiram compromissos eleitorais de não formar um governo com os partidos árabes. Caso as negociações fracassem, Israel poderá realizar novas eleições nos próximos meses.

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