JD Vance critica Netanyahu e defende acordo diplomático com Irã

Destaques
- •Vice-presidente dos EUA, JD Vance, acusou Benjamin Netanyahu de "errar em tudo" sobre o Irã e defendeu um acordo diplomático.
- •Vance atribuiu a derrota republicana nas eleições de meio de mandato à impopularidade da guerra, alertando Trump sobre o custo eleitoral.
- •A Casa Branca avalia retomar bombardeios, negociar com Teerã ou manter sanções, enquanto as Forças Armadas preparam operações.
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, criticou reservadamente o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmando que ele estava "errado em tudo" em relação ao Irã. Vance liderou, dentro do governo de Donald Trump, articulações para encerrar a guerra por meio de um acordo diplomático com Teerã. A revelação foi publicada pela Axios, com base em fontes familiarizadas com discussões internas do governo norte-americano.
Segundo a reportagem, Vance vinha alertando Trump nos últimos meses que a guerra era extremamente impopular e poderia custar aos republicanos o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato. A avaliação era compartilhada pela maioria dos altos funcionários próximos ao presidente, mas encontrava resistência nas pressões de Netanyahu pela retomada de bombardeios contra o território iraniano. O primeiro-ministro israelense chegou a pressionar Trump para autorizar novos ataques antes das eleições norte-americanas de 3 de novembro.
Impasse após eleições de meio de mandato
Após a derrota republicana nas eleições de meio de mandato, o presidente Trump enfrenta um impasse sobre os rumos da guerra contra o Irã. "Uma coisa é perder as eleições de meio de mandato. Mas Trump não quer parecer um perdedor duas vezes", resumiu um ex-assessor do presidente norte-americano à Axios.
A indefinição persiste apesar das declarações do presidente de que encerraria a guerra, de uma forma ou de outra, após as eleições. A Casa Branca considera três alternativas: retomar os bombardeios, negociar um acordo com Teerã ou manter o bloqueio naval e as sanções econômicas contra o país.
Preparativos militares e resistência interna
Segundo a Axios, as Forças Armadas norte-americanas estão finalizando os preparativos para uma possível retomada de operações de combate em grande escala contra o Irã. A retomada da ofensiva, no entanto, enfrenta resistência dentro do governo devido à impopularidade da guerra, ao aumento dos preços dos combustíveis e à avaliação de que novos ataques dificilmente produziriam resultados militares superiores aos já alcançados.
Em análise publicada na plataforma X, JD Vance responsabilizou diretamente o confronto pela derrota republicana. "A razão pela qual perdemos é a guerra. O próprio presidente disse isso na noite passada", escreveu. Ele contestou a avaliação de que o resultado teria sido provocado principalmente pela baixa participação dos eleitores republicanos.
Motivações e próximos passos
"Os nossos eleitores apareceram", mas "muitas pessoas que votaram em Trump/Vance em 2024 votaram em democratas em 2026", afirmou Vance. O vice-presidente apresentou as respostas de uma enquete sobre o que o partido poderia fazer para recuperar o apoio dos eleitores, incluindo encerrar a guerra, focar no custo de vida/inflação, colocar a América em Primeiro Lugar e mudar a relação com Israel.
"Se você quiser argumentar que valeu a pena, que perder o Senado pelos próximos seis anos valeu a pena, então faça isso. Argumente que foi um custo válido a pagar. Concorde ou discorde, isso é pelo menos honesto", acrescentou Vance.
Matérias originais
- Vance atribui derrota republicana à guerra contra Irã e critica Netanyahu · operamundi.uol.com.br



