Itaú Unibanco compra startup de IA NeoSpace por R$ 2,9 bilhões

Destaques
- •Itaú Unibanco anuncia aquisição da NeoSpace por R$ 2,925 bilhões para acelerar ambições tecnológicas.
- •A compra visa integrar a tecnologia da NeoSpace ao conhecimento financeiro do Itaú para personalizar atendimento e análise de risco.
- •A operação depende de aprovação do Cade e Banco Central, com a NeoSpace mantendo gestão autônoma.
O Itaú Unibanco anunciou nesta segunda-feira (26) a aquisição de 100% da startup brasileira de inteligência artificial (IA) NeoSpace, em um negócio avaliado em R$ 2,925 bilhões. A transação, que será paga em parte no fechamento e o restante ao longo de cinco anos, visa acelerar as ambições tecnológicas do banco e fortalecer sua posição no mercado financeiro.
A NeoSpace, fundada em 2023, desenvolve modelos de IA fundacional focados na identificação de padrões e relações complexas em grandes volumes de informações, com a capacidade de analisar diversos formatos de dados. A tecnologia já é utilizada pelo Itaú em iniciativas conjuntas, especialmente na plataforma de IA generativa ia.i, e tem potencial para aprimorar áreas como crédito, CRM (customer relationship management) e prevenção a fraudes.
O que a aquisição significa para o Itaú
Com a compra, o Itaú busca combinar a tecnologia de ponta da NeoSpace com seu próprio conhecimento em serviços financeiros. O objetivo é desenvolver modelos de IA próprios que permitam personalizar o atendimento ao cliente, ampliar o acesso a dados para análise de risco e incentivar um uso mais amplo dos serviços do banco. A iniciativa se alinha à estratégia do setor financeiro global de investir em IA para criar experiências mais contextualizadas e auxiliar nas decisões financeiras dos clientes.
O CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, destacou a ambição do banco em estar entre as instituições que definirão o futuro da indústria financeira global, elevando o patamar da inovação bancária brasileira com IA de fronteira. A aquisição da NeoSpace é vista como um investimento estratégico para alcançar esse objetivo, reunindo tecnologia fundacional, conhecimento financeiro e escala.
Autonomia e continuidade da NeoSpace
Apesar da aquisição, a NeoSpace manterá sua gestão e operação autônomas, sob a liderança de seu cofundador e CEO, Bruno Pierobon. A empresa continuará suas atividades de pesquisa e desenvolvimento com sua equipe atual. Essa estrutura visa preservar a visão e a capacidade de inovação que levaram à criação da startup, que já vinha apresentando resultados relevantes para o banco.
A NeoSpace se posiciona no mercado de IA com uma abordagem focada em Large Data Models (LDM), que analisam qualquer formato de dado, em contraste com os Large Language Models (LLMs) focados em linguagem. A empresa desenvolve plataformas para que outras companhias construam e treinem seus próprios modelos com seus dados, buscando criar soluções especializadas.
Histórico e próximos passos
Esta não é a primeira incursão do Itaú em aquisições de tecnologia. Em 2019, o banco comprou a Zup, outra startup fundada por Bruno Pierobon, que oferece serviços de integração de sistemas. A relação entre Itaú e NeoSpace já era próxima, com o banco liderando uma rodada de investimento de US$ 18 milhões na startup em janeiro de 2025.
A conclusão da operação de aquisição da NeoSpace ainda está sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central. Caso aprovada, a NeoSpace poderá impulsionar ainda mais a plataforma ia.i do Itaú, que tem como objetivo estender o acesso a 100% dos usuários pessoa física do superapp do banco até o fim de 2026.
O que diz a pesquisa
Um estudo intitulado "INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO SETOR FINANCEIRO: Tendências, desafios e práticas", publicado na Scientia Generalis em 2026, propõe um quadro de sistematização para soluções de IA em instituições financeiras. A pesquisa, baseada em Revisão Sistemática da Literatura (RSL) de 59 artigos, identificou que as principais aplicações de IA no setor financeiro concentram-se em análise de crédito, detecção de fraudes e automação de processos.
O estudo aponta uma lacuna na consolidação do conhecimento e na orientação para a implementação prática dessas tecnologias, apesar do potencial impacto econômico estimado em mais de €11 bilhões até 2030. A pesquisa visa fornecer um panorama claro e um guia prático para bancos, fintechs e reguladores, promovendo implementações mais eficazes e informadas.
Pesquisa citada
- INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO SETOR FINANCEIRO: Tendências, desafios e práticas
Scientia Generalis · 2026
Matérias originais
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