Campanhas políticas nos EUA buscam influenciar respostas de chatbots de IA

Destaques
- •Estratégias de "GEO" (otimização para mecanismos generativos) visam moldar o que IAs como ChatGPT dizem sobre candidatos.
- •Consultorias oferecem serviços que vão de monitoramento a criação de conteúdo e publicidade paga para influenciar resultados.
- •A prática deve se tornar comum nas próximas eleições, com eleitores cada vez mais recorrendo a IAs para obter informações políticas.
Candidatos políticos nos Estados Unidos estão desenvolvendo estratégias para influenciar as informações que chatbots de inteligência artificial, como ChatGPT, Claude e Gemini, fornecem aos eleitores. A tática, conhecida como GEO (otimização para mecanismos generativos), busca garantir que essas ferramentas recomendem determinados nomes e propostas, moldando a percepção pública em um cenário eleitoral cada vez mais digital.
A iniciativa parte da premissa de que eleitores estão utilizando cada vez mais essas IAs para obter informações sobre candidatos e suas plataformas. Documentos obtidos pela Reuters revelam que campanhas estão apostando na publicação massiva de conteúdos na internet e no monitoramento constante das respostas dos assistentes virtuais. O objetivo é garantir que as informações corretas sobre os políticos cheguem aos sistemas de IA.
GEO: A nova fronteira da otimização para IAs
Uma apresentação detalhada para Mike Minogue, candidato republicano ao governo de Massachusetts, descreve como ampliar a presença do político nas respostas dos assistentes virtuais. O plano, elaborado pela consultoria Visigent, sugere a criação de centenas de páginas web com as propostas de Minogue, a publicação de referências em sites frequentemente citados pelas IAs e a produção de conteúdo para plataformas como YouTube e Reddit. A estratégia também inclui o acompanhamento das respostas dos chatbots e o ajuste contínuo dos materiais publicados online.
"Se você não divulgar as informações certas, quem sabe o que os mecanismos de IA vão encontrar?", afirmou Thomas Howell, CEO da Visigent, à Reuters. A campanha de Minogue não comentou o caso.
Eleitores e a confiabilidade das informações de IA
O interesse das campanhas em influenciar as IAs reflete uma mudança nos hábitos de consulta dos eleitores. Segundo Cameron Hickey, CEO da National Conference on Citizenship, aproximadamente 25% dos eleitores elegíveis já consultaram um chatbot sobre candidatos antes de decidir seu voto. Essa tendência levanta preocupações sobre a disseminação de desinformação.
Meg Schwenzfeier, da Caucus AI, alerta que os chatbots podem apresentar informações não verificadas com grande segurança. "Os chatbots falam com muita autoridade e podem consumir grandes quantidades de informações não verificadas, por isso precisamos nos proteger contra a desinformação", disse à Reuters. A confiabilidade das fontes que alimentam essas IAs torna-se, portanto, uma questão crucial.
Por outro lado, Jordan Haines, diretor de tecnologia da organização Run for Something, adota uma visão menos alarmista. Ele observou que, até o momento, os modelos de IA têm demonstrado capacidade de distinguir informações confiáveis de conteúdos duvidosos, com informações publicadas no Reddit aparecendo nas respostas das IAs no dia seguinte.
Custos e o futuro da influência em campanhas de IA
Os custos para influenciar as respostas dos chatbots variam significativamente, dependendo do serviço contratado e da escala da campanha. A Reuters apurou que as opções incluem desde ferramentas de monitoramento básico, como o software da Visigent a partir de US$ 134 mensais (cerca de R$ 668,66), até consultorias políticas completas. A CampSight oferece serviços entre US$ 9 e US$ 250 por mês (aproximadamente R$ 44,91 a R$ 1.247,50).
Contratos de consultoria com a Visigent começam em US$ 5 mil mensais (cerca de R$ 24.950). Estratégias que envolvem publicidade paga e influenciadores podem chegar a US$ 50 mil por mês (aproximadamente R$ 249.500), com potencial de remuneração de até US$ 200 mil (cerca de R$ 998 mil) por uma vitória em determinada categoria.
Joe Bonilla, sócio-diretor da consultoria Relentless Awareness, prevê que essa prática se tornará ainda mais comum. "As campanhas que usam treinamento para influenciar a IA são uma realidade que enfrentamos e isso será onipresente no ciclo eleitoral de 2028", afirmou, indicando que a influência sobre IAs será uma tática padrão nas próximas eleições presidenciais americanas.
Matérias originais
- ChatGPT e Gemini entram na estratégia de campanhas políticas dos EUA · olhardigital.com.br



