Itaú e S&P Global debatem barreiras de ETFs no Brasil

Destaques
- •Executivos do Itaú Asset e S&P Global discutem a adaptação de produtos financeiros estrangeiros ao mercado brasileiro.
- •Apesar do potencial de ETFs para educação financeira, a cultura de investimento brasileira e a confusão com negociação em bolsa são barreiras.
- •O debate ocorreu durante o encontro anual sobre índices e ETFs no Brasil 2026, promovido pela S&P Global.
A preferência cultural e estrutural do investidor brasileiro por renda fixa é um fator crucial que não pode ser ignorado ao se pensar em novos produtos financeiros. Essa foi a principal tese defendida por Renato Eid Tucci, diretor de estratégias indexadas do Itaú Asset Management, durante o encontro anual sobre índices e ETFs no Brasil 2026, promovido pela S&P Global. Ele alertou que um produto de sucesso nos Estados Unidos pode não ter o mesmo desempenho no Brasil.
A discussão girou em torno de iniciativas como as "Trump's accounts", um programa governamental dos EUA que alocará US$ 1 mil para crianças elegíveis nascidas entre 2025 e 2028 em um ETF atrelado ao S&P 500. Catherine Clay, CEO do S&P Dow Jones Indices, elogiou o programa como uma ferramenta eficaz para introduzir a população ao mercado de investimentos e promover a educação financeira desde cedo. Segundo ela, a simplicidade e a remoção de barreiras facilitam a adesão das famílias.
Barreiras culturais e educacionais no Brasil
Renato Eid Tucci concordou com a importância de políticas públicas para incentivar investimentos, mas ressaltou a necessidade de cautela ao replicar modelos estrangeiros no Brasil. "Nossa cultura de investimento é diferente e as demandas dos brasileiros são diferentes", afirmou. Ele destacou que os produtos financeiros brasileiros precisam atender às necessidades específicas do país.
Um dos principais pontos levantados por Tucci foi a percepção do investidor brasileiro sobre a negociação em bolsa. "Quando falamos em bolsa de valores, todo mundo pensa em ações", explicou. Ele apontou que mesmo ETFs de renda fixa, que deveriam ser mais conservadores, aparecem no extrato mensal do investidor como "ações", gerando confusão. Para ele, é fundamental um trabalho de educação financeira para demonstrar que a bolsa negocia uma variedade de ativos, incluindo renda fixa e investimentos internacionais, de forma eficiente.
O potencial e os desafios dos ETFs
Catherine Clay reconheceu que os ETFs ainda enfrentam barreiras em todos os mercados, mas também observou uma demanda crescente por esses instrumentos. Ela destacou os méritos de transparência e simplicidade dos ETFs como ótimas ferramentas para iniciar novos investidores. "A grande questão é como remover todos os pontos de fricção que impedem as pessoas de migrarem da poupança para os investimentos", disse.
A indústria de fundos de investimento no Brasil movimenta cerca de R$ 12 trilhões em ativos sob gestão. No entanto, os ETFs representam uma fatia pequena desse total, apenas 1,3%. Grande parte desse crescimento ocorreu nos últimos dois anos, com um avanço de aproximadamente metade do tamanho atual. Atualmente, o mercado brasileiro conta com cerca de 1 milhão de investidores individuais utilizando ETFs, o que representa uma penetração de 1% a 2% da população.



