Israel: Oposição busca aliança com partidos árabes para derrubar Netanyahu
Destaques
- •Oposição israelense busca formar maioria no Parlamento com partidos árabes após eleições sem vencedor claro.
- •A aliança entre os blocos daria 67 assentos, mas a divisão ideológica e a rejeição de alguns partidos dificultam o acordo.
- •O presidente de Israel deve designar um líder para formar governo até quinta-feira, com risco de novas eleições.
Centenas de israelenses foram às ruas no sábado, 31, em Tel Aviv e Jerusalém para pressionar a oposição a formar uma aliança com os partidos árabes e assim retirar do poder o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu. As eleições de terça-feira não definiram um bloco com maioria no Parlamento de 120 cadeiras, abrindo caminho para negociações complexas.
Os partidos de maioria judaica contrários a Netanyahu conquistaram 48 assentos, enquanto os partidos de maioria árabe, Raam e Lista Unificada, obtiveram juntos 19 cadeiras. Uma aliança entre esses dois grupos somaria 67 assentos, o suficiente para formar um governo. No entanto, a aproximação enfrenta obstáculos significativos.
Oposição dividida e condições para aliança
O líder da oposição, Gadi Eisenkot, ainda não decidiu se aceitará uma aliança com os partidos árabes. Ele declarou que busca formar um "governo sionista", cujos integrantes reconheçam Israel como um Estado judeu, democrático e liberal e considerem o Hamas uma "organização terrorista". Condições que os líderes árabes rejeitaram no passado.
Apesar de não descartar explicitamente o apoio árabe, Eisenkot expressou o desejo de não depender deles. Manifestantes em Jerusalém pediram "coragem" para fazer o que é correto, enquanto em Tel Aviv, faixas como "Árabes e judeus vencem juntos" e "há uma maioria a favor da mudança" foram exibidas.
Partidos árabes e suas propostas
O líder do Raam, Mansur Abbas, declarou-se disposto a integrar uma coalizão governamental, repetindo a experiência de 2021-2022. Já o líder da Lista Unificada, Yusef Jabareen, afirmou à AFP que estaria disposto a apoiar Eisenkot no Parlamento sem necessariamente integrar o governo.
A comunidade árabe representa cerca de 20% da população israelense. Manifestantes como Ayelet Raz, de 60 anos, defendem a participação árabe no governo como uma "última oportunidade para promover uma mudança real" e "dar uma chance à paz".
Apoio a Netanyahu e próximos passos
Paralelamente, apoiadores de Netanyahu realizaram um ato próprio, com alegações como "Os dois partidos árabes são do Hamas" e "Eles querem transformar Israel em um país palestino". A retórica hostil do governo de extrema direita de Netanyahu foi apontada como um dos impulsionadores do avanço dos partidos árabes nas eleições.
Espera-se que o presidente de Israel, Isaac Herzog, encarregue Netanyahu ou Eisenkot de tentar formar um novo governo até a próxima quinta-feira, 5. Caso as tentativas fracassem, Israel poderá enfrentar novas eleições no início do próximo ano, um cenário que Herzog afirmou que fará o possível para evitar.



