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Israel força 1.200 palestinos a deixarem casas em Hebron após ataque

24 de outubro de 2026
Israel força 1.200 palestinos a deixarem casas em Hebron após ataque

Destaques

  • •Exército israelense desalojou cerca de 1.200 palestinos em Hebron, na Cisjordânia, após ataque que matou dois soldados.
  • •A Autoridade Palestina classificou a operação como "punição coletiva", enquanto Israel alega buscar militantes e armas.
  • •A ação ocorre em meio a tensões políticas internas em Israel e restrições de movimento para palestinos na região.

O exército israelense obrigou cerca de 1.200 palestinos a deixarem suas casas em Hebron, na Cisjordânia ocupada, neste sábado (24). A ação militar ocorreu um dia após um ataque palestino que matou dois soldados israelenses em um posto de controle próximo à cidade. Os atiradores foram mortos pelas forças israelenses.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou na sexta-feira (23) que os militares lançariam uma operação de grande escala após o incidente. O Exército israelense informou que a operação nos bairros de Al-Jaladah e Ein Deir Baha visava procurar militantes e armas, e que demolições seriam realizadas.

"Punição coletiva" e risco de novas demolições

A Autoridade Palestina criticou duramente a operação, classificando-a como uma "punição coletiva" contra a população civil. O chefe da prefeitura de Hebron, Yousef Zouhair Al-Jabari, afirmou que cerca de 1.300 pessoas corriam o risco de perder suas casas, além das 1.200 já deslocadas. Ele relatou que militares demoliram lojas, fábricas, residências e estradas na região, considerando a resposta desproporcional e injustificada.

Moradores relataram à Reuters que os militares expulsaram muitas pessoas sem qualquer ligação com os autores do ataque. "Estamos pedindo às autoridades que nos apoiem porque não temos envolvimento algum com isso. Há crianças. Estamos isolados; não fazemos nada. Tudo isso é arbitrário", disse Majdi Nasser, um dos moradores retirados de sua casa. Alguns moradores viram soldados marcando casas com um "X" preto após os ocupantes serem forçados a sair, mas o significado da marcação não ficou claro.

Motivações políticas e restrições de movimento

Yousef Al-Jabari, chefe da prefeitura de Hebron, sugeriu que as operações israelenses foram motivadas pelas eleições parlamentares de terça-feira (27), nas quais a coalizão de direita de Netanyahu pode perder sua maioria. "Netanyahu e os ministros radicais de seu governo estão tentando conquistar o maior número possível de votos dos colonos", disse Al-Jabari.

A organização não governamental Clube dos Prisioneiros Palestinos informou que as forças israelenses prenderam cerca de 70 palestinos na sexta-feira e no sábado, informação que autoridades israelenses não comentaram. O governo Netanyahu tem supervisionado uma rápida expansão dos assentamentos na Cisjordânia, considerados ilegais pela ONU e pela maioria dos países.

Em toda a Cisjordânia, Israel bloqueou as entradas da maioria das cidades e vilas palestinas, restringindo severamente a liberdade de movimento. Um morador de Yatta, Yousef Mur, relatou que os bloqueios o impediram de chegar a Jerusalém com sua filha para tratamento contra o câncer, descrevendo a situação como "muito difícil" e relatando que granadas de efeito moral foram lançadas contra pessoas.

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