Investigação da PF aponta manipulação de transporte eleitoral em 2022
Destaques
- •Investigação da Polícia Federal concluiu que houve manipulação logística para dificultar o voto de eleitores em 2022.
- •A operação da PRF e a redução de frota de ônibus em cidades como Salvador e São Paulo foram apontadas como táticas para gerar abstenção.
- •O caso levanta preocupações sobre a fragilidade do processo eleitoral e a possibilidade de novas tentativas de manipulação em futuras eleições.
Uma investigação da Polícia Federal concluiu que houve uma tentativa de manipular o resultado das eleições presidenciais de 2022 por meio da restrição do transporte de eleitores. A operação, que ocorreu no dia do segundo turno, envolveu bloqueios da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a redução da frota de ônibus em cidades como Salvador e São Paulo, visando principalmente regiões com maior concentração de eleitores de Lula. O objetivo seria gerar uma "discrepante abstenção" em redutos eleitorais do então candidato petista, o que poderia ter impactado o apertado resultado final.
Operação da PRF em 2022
No dia 30 de outubro de 2022, durante o segundo turno das eleições presidenciais, a PRF realizou uma série de bloqueios e blitze em todo o país, com foco especial no Nordeste. A justificativa oficial era a garantia da segurança de eleitores transportados irregularmente. No entanto, a investigação da PF aponta que a operação, especialmente em relação a ônibus e vans, funcionou para atrasar ou impedir a chegada de eleitores aos locais de votação. A PF concluiu que houve uma "discrepante abstenção" nas áreas onde as blitze ocorreram, o que, considerando a diferença de pouco mais de 2 milhões de votos entre Lula e Jair Bolsonaro, poderia ter sido decisivo.
Redução de Frota em Cidades Chave
Em 2024, a tática teria se repetido, desta vez a partir de prefeituras aliadas a Jair Bolsonaro. Em Salvador, mais de 500 ônibus foram retidos nas garagens por ordem da Secretaria de Mobilidade Urbana (SEMOB), com a circulação de uma frota inferior à dos dias de semana, contrariando determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de manter o transporte em níveis normais. Em São Paulo, quase 30% dos ônibus ficaram parados, com a SPTrans inicialmente alegando "desafios operacionais", versão contestada pelo prefeito Ricardo Nunes. Pesquisas indicaram que as periferias de São Paulo, redutos de Lula, foram as mais afetadas pela queda na circulação de ônibus.
Tentativa de Questionar o Resultado
A diminuição do transporte em redutos de Lula levou o PT a pedir a prorrogação do tempo de votação. Embora a aceitação tenha sido tardia e aplicada em poucos locais, a narrativa de "fraude eleitoral" foi preparada. Contudo, a campanha de Flávio Bolsonaro também pediu a extensão do horário, e a quantidade de votos contabilizados entre 17h e 19h foi irrisória (menos de 35 mil), insuficiente para alterar o resultado final. A confusão pós-eleição gerou declarações divergentes entre aliados de Bolsonaro, com alguns pedindo anulação e outros reconhecendo a derrota.
Fuga e Consequências Políticas
Após o resultado, Flávio Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos, com uma parada na Argentina, em um plano que, segundo o texto, teria sido organizado semanas antes. A fuga, facilitada por um jato de uma empresa ligada a um aliado do presidente argentino Javier Milei, levantou questionamentos sobre o apoio internacional e a organização da evasão. Nos EUA, Flávio Bolsonaro publicou uma carta se declarando "verdadeiro presidente eleito", mas corrigiu o brasão e depois se retratou, passando a se identificar como "líder" do Brasil. O texto sugere que essa fuga foi orquestrada para que Trump pudesse manter Bolsonaro como uma carta na manga, evitando sua prisão no Brasil. A ausência de Flávio Bolsonaro abre espaço para outras figuras da direita, como Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro, disputarem a liderança do campo político para futuras eleições.
Matérias originais
- Golpe e anistia: a batalha pelo Brasil não acabou · operamundi.uol.com.br



