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Influenciadora Malévola Alves é presa no Egito por vídeos com insinuações sexuais

21 de outubro de 2026
Influenciadora Malévola Alves é presa no Egito por vídeos com insinuações sexuais

Destaques

  • •Influenciadora brasileira Malévola Alves e amiga foram detidas no Egito após vídeos com supostas insinuações sexuais viralizarem.
  • •O caso expõe as diferenças culturais e legais entre Brasil e Egito quanto à liberdade de expressão e moralidade pública.
  • •Ambas foram liberadas após pagamento de fiança, mas a investigação egípcia sobre o conteúdo dos vídeos continua.

A influenciadora digital brasileira Malévola Alves, de 22 anos, foi presa no Egito nesta terça-feira (20) em Alexandria, sob acusação de gravar e divulgar vídeos com supostas insinuações sexuais. A detenção ocorreu durante uma viagem com uma amiga, Bruna. O caso gerou repercussão internacional e preocupação entre seguidores e autoridades brasileiras.

Segundo o Ministério do Interior egípcio, as duas turistas foram identificadas e detidas após a circulação de vídeos nas redes sociais que mostravam gestos com conotação sexual e abordagens a pessoas nas ruas. As autoridades classificaram o conteúdo como obsceno e afirmaram que as brasileiras admitiram ter gravado e publicado os vídeos com o objetivo de aumentar visualizações. A investigação foi encaminhada à Promotoria Pública do país.

Conteúdo dos vídeos e relato da influenciadora

Nos vídeos que circularam, Malévola Alves e Bruna aparecem dançando funk dentro de um táxi e em um carro. Em uma das cenas, Bruna acaricia um homem, e Malévola tenta aproximá-los para um beijo. Em outro registro, Malévola dança com as pernas erguidas no banco traseiro de um carro, enquanto Bruna encosta a cabeça do motorista em seus seios. Há também uma cena em que Malévola filma homens dando tapas em suas nádegas pela janela do veículo.

Antes da confirmação oficial, Malévola Alves recorreu às redes sociais para pedir ajuda, relatando desespero. Segundo ela, policiais interromperam o passeio, recolheram os passaportes das duas brasileiras e fizeram perguntas sobre a identidade de gênero delas. "Estamos na delegacia, estamos desesperadas. Eu não sei o que vai acontecer ou o que vão fazer com a gente. Pegaram todos os nossos passaportes e pararam nossa van no meio do passeio", escreveu.

Contexto cultural e legal no Egito

Malévola Alves, nome artístico de Mariana Alves Gadelha Pereira, é uma influenciadora trans brasileira conhecida por seu humor ácido e declarações provocativas. O caso no Egito ganha dimensão por envolver autoridades estrangeiras e preocupações com a segurança e os direitos das brasileiras.

O Egito, país de maioria muçulmana, enfrenta críticas de organizações de direitos humanos por restrições e discriminação contra pessoas LGBT. Embora não criminalize explicitamente relações consensuais entre pessoas do mesmo sexo, leis relacionadas à moralidade pública têm sido usadas para perseguir essa população. No caso das brasileiras, a influenciadora relatou ter sido questionada sobre sua identidade de gênero, enquanto as autoridades focaram no conteúdo dos vídeos.

Advogados ouvidos pela reportagem explicam que o Egito possui leis rígidas quanto à moralidade pública, como a Lei nº 10 de 1961 e o artigo 278 do Código Penal, que punem condutas consideradas devassidão e atentado ao pudor. A Lei de Crimes Cibernéticos (Lei nº 175 de 2018) também abrange conteúdos publicados nas redes sociais que violem a privacidade ou os valores familiares egípcios. Em 2023, o Código Penal foi alterado para endurecer as punições para assédio e atentado ao pudor, inclusive por meios eletrônicos, com o artigo 306 bis A sendo um possível enquadramento.

Assistência consular e liberação

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que a Embaixada do Brasil no Cairo estava à disposição para prestar assistência consular às brasileiras. O advogado Jonatha Carvalho Matos, representante de Malévola Alves, confirmou que a equipe jurídica iniciou contatos com a Embaixada e autoridades egípcias para garantir a integridade física, segurança e direitos legais das influenciadoras.

Segundo a defesa, Malévola Alves e sua amiga foram liberadas na manhã desta quarta-feira (21) após o pagamento de fiança estipulada entre 20 mil e 40 mil libras egípcias, o equivalente a aproximadamente R$ 2 mil a R$ 4 mil. A defesa ressaltou que o resultado foi fruto de um trabalho coordenado entre a representação diplomática brasileira, a equipe jurídica local no Egito e os órgãos competentes. A advogada internacionalista Rita de Cássia Silva explicou que, em regra, um estrangeiro responde à lei local do país onde comete o crime, pelo princípio da territorialidade.

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