Ibovespa opera volátil com EUA e juros; petróleo sobe após quedas

Destaques
- •Ibovespa oscila entre perdas e ganhos, influenciado pela política nos EUA e decisão de juros do Copom.
- •Petróleo Brent sobe após quedas recentes, com bancos elevando projeções devido a riscos geopolíticos no Oriente Médio.
- •Mercado aguarda pronunciamento de Lula sobre responsabilidade fiscal e digere balanços corporativos.
O Ibovespa operou volátil nesta quinta-feira (5), tentando dar sequência à alta da véspera após seis pregões seguidos de queda. A valorização inicial foi impulsionada pela elevação do minério de ferro, do petróleo e da maioria dos índices de ações ocidentais. No entanto, no final da manhã, o índice passou a operar indefinido, coincidindo com a abertura em queda dos mercados americanos. O Ibovespa cedia 0,05%, aos 167.430,25 pontos, após ter atingido uma máxima de 168.994,33 pontos mais cedo.
Mercado digere decisão do Copom e incertezas fiscais
Investidores repercutem a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, conforme o esperado. O comunicado do Banco Central reforçou a postura de cautela, sinalizando que a política monetária restritiva será mantida pelo tempo necessário para assegurar a convergência da inflação à meta. Apesar da desaceleração da atividade econômica, a inflação e as expectativas seguem pressionadas, com riscos inflacionários elevados devido ao petróleo, câmbio e incertezas fiscais.
Para tentar acalmar os ânimos do mercado financeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fará um pronunciamento à nação no domingo, buscando transmitir uma mensagem de pacificação e garantir responsabilidade fiscal em seu quarto mandato. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a Selic está alta e prejudicial à economia, e que o Imposto Seletivo, enviado ao Congresso, não tem finalidade arrecadatória, isentando a indústria de IPI.
EUA e Oriente Médio ditam rumos do petróleo e bolsas
A vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos provocou uma forte reprecificação no mercado de petróleo. A expectativa de que um Congresso controlado pelos democratas possa restringir o financiamento de operações militares americanas e aumentar os incentivos para uma negociação com o Irã levou a uma queda expressiva nos preços do petróleo na véspera. Na quarta-feira, o Brent despencou 8,7%, e o WTI caiu 8,3%.
Nesta quinta, o petróleo Brent operava em alta de 2,85%, a US$ 97,35 o barril, em ajuste após a derrocada anterior. O minério de ferro também subiu 1,77% em Dalian. Analistas da StoneX alertam que o cenário está longe de representar uma pacificação na região, e os investidores devem continuar convivendo com alta volatilidade. O banco Itaú BBA elevou sua projeção para o Brent, esperando que encerre o ano a US$ 100 por barril, com o mesmo patamar previsto para o primeiro semestre de 2027, citando a manutenção de um prêmio de risco geopolítico elevado.
O Goldman Sachs também revisou para cima suas estimativas, incorporando o risco de interrupções na oferta global. O banco elevou a projeção do Brent de US$ 90 para US$ 150 por barril para dezembro deste ano em um cenário de intensificação dos ataques. Os analistas do banco apontam que os conflitos entre EUA e Irã, e Rússia e Ucrânia, somados à fragmentação geopolítica, criam um "elevado risco" de interrupções na oferta de óleo bruto.
Próximos passos e balanços corporativos no radar
O mercado aguarda a divulgação de uma série de balanços corporativos após o fechamento da B3, incluindo resultados da Suzano (SUZB3), Assaí (ASAI3), Allos (ALOS3), Lojas Renner (LREN3) e Sabesp (SBSP3). Investidores também avaliam a produção industrial de setembro e os resultados de empresas como C&A (CEAB3), CBA (CBAV3) e Porto Seguro (PSSA3).
Matérias originais
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