Ibovespa despenca com juros futuros em alta e incertezas fiscais pós-eleição

Destaques
- •Ibovespa opera em forte queda, com ações sensíveis a juros e cenário doméstico liderando perdas.
- •Mercado reage à nova alta dos juros futuros e à indefinição sobre a condução da política econômica e o cenário fiscal do próximo governo.
- •Investidores aguardam decisão de juros do Federal Reserve e acompanham desdobramentos políticos no exterior.
O Ibovespa operava em forte queda nesta quarta-feira (28), com o índice perdendo mais de 5 mil pontos e caindo mais de 3% em alguns momentos do pregão. A bolsa brasileira reflete o estresse pós-eleições presidenciais, com investidores ajustando suas expectativas para a condução da política econômica e o cenário fiscal do governo Lula a partir de 2027. A nova alta dos juros futuros no mercado doméstico também pressiona os ativos mais sensíveis a esse cenário.
Ajustes pós-eleição e incertezas fiscais
Após a forte queda de 13,88% na segunda-feira, na esteira da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e um dia de alívio na terça, os mercados voltaram a demonstrar nervosismo. A falta de sinais claros sobre um ajuste fiscal crível, a contenção de gastos e a trajetória da dívida pública são os principais pontos de atenção. Analistas apontam que o mercado espera medidas que indiquem um compromisso com o equilíbrio das contas públicas, algo que o governo tem sinalizado não ser prioridade imediata.
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que um ajuste fiscal não é prioridade para o governo neste ano, focando em outras pautas até dezembro. Essa declaração contribui para a pressão negativa sobre os ativos domésticos, que buscam sinais de austeridade.
Tributação e desdobramentos políticos
Outro fator que afeta o mercado é a notícia de que a equipe econômica do governo estuda a cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre títulos hoje isentos de Imposto de Renda, como LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas. Essa medida, se implementada, pode impactar negativamente o crédito privado e setores como o imobiliário e de infraestrutura.
No campo político, a viagem do senador Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos após descumprir decisão judicial de entregar o passaporte também está no radar. Analistas do Citi apontam que o episódio reduz as chances de contestação do resultado eleitoral, enfraquece o protagonismo político da família Bolsonaro e diminui a probabilidade de novos movimentos de rua questionando o pleito.
Olho no exterior e balanços corporativos
No cenário internacional, a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) é aguardada com cautela. As apostas do mercado indicam a manutenção da taxa de juros dos EUA na faixa de 3,75% a 4,00%. A atenção estará voltada para o comunicado e as sinalizações sobre a duração da pausa e a possibilidade de novos apertos monetários.
A temporada de balanços também segue no radar, com divulgação de resultados de empresas como Santander Brasil (lucro líquido recorrente de R$ 2,89 bilhões no 3T23, queda de 28%) e Hypera (lucro líquido de R$ 527 milhões no 3T23, alta de 16,1%). A Petrobras e a Vale também divulgarão seus resultados em breve.
Ações em destaque
Entre as maiores quedas do Ibovespa, destacam-se Vamos (VAMO3) com -12,71%, Magazine Luiza (MGLU3) com -12%, e Azzas 2154 (AZZA3) com -10,60%. Bancos como Bradesco PN (BBDC4) e BTG Pactual (BPAC11) também operam em baixa. A Petrobras PN (PETR4) apresentava leve declínio, enquanto a Vale ON (VALE3) caía 1,81%.
Matérias originais
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