Ibovespa despenca 13,88% após eleição; ações de exportadoras sobem

Destaques
- •Ibovespa registra a maior queda desde 2020 no primeiro pregão após a eleição presidencial.
- •Ações de empresas exportadoras como Suzano e Embraer se valorizam com a forte alta do dólar.
- •Investidores reagem com cautela à eleição de Lula, temendo deterioração fiscal e desvalorização do real.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, sofreu uma forte desvalorização de 13,88% no primeiro pregão após a eleição presidencial de segunda-feira (26), fechando aos 176.608,23 pontos. A queda foi a maior registrada desde 2020 e reflete um sentimento de cautela e apreensão por parte dos investidores em relação ao futuro cenário econômico e fiscal do país.
Em contrapartida à maré de perdas, um grupo seleto de ações conseguiu navegar contra a corrente e registrar valorizações. Entre elas, destacaram-se as empresas com forte vocação exportadora, cujas receitas são majoritariamente em dólar. A Suzano (SUZB3), maior produtora mundial de celulose de eucalipto, liderou os ganhos com uma alta de 10,08%. A valorização do dólar, que disparou 10% e ultrapassou os R$ 5,50, favorece a conversão dessas receitas para reais, embora possa também encarecer custos de insumos importados.
Ações que se destacaram na queda
Além da Suzano, outras companhias do setor de papel e celulose também apresentaram bom desempenho. A Klabin (KLBN11) avançou 3,24%. A fabricante de aeronaves Embraer (EMBJ3) registrou alta de 8,89%, beneficiada por sua exposição cambial e receitas em mercados internacionais. A gigante da mineração Vale (VALE3) subiu 4,01%, enquanto a fabricante de motores elétricos WEG (WEGE3) valorizou-se 4,21%. Papéis de empresas como Metalúrgica Gerdau (GOAU4) e Gerdau (GGBR4) também figuraram entre os poucos em alta.
O temor do mercado com a eleição
A forte alta do dólar e a desvalorização do real após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizam um temor generalizado do mercado quanto a uma possível deterioração fiscal. A perspectiva de aumento de gastos públicos e a incerteza sobre a condução da política econômica têm levado investidores a buscar ativos mais seguros e a se desfazer de posições em renda variável, especialmente em ações de empresas mais sensíveis ao cenário doméstico.
O resultado do primeiro turno já havia gerado volatilidade, mas a reação do mercado após a vitória de Lula indica uma mudança significativa nas expectativas. A desvalorização intensa do real é um dos principais termômetros dessa mudança de percepção, impactando diretamente o poder de compra e a inflação no país.
Próximos passos e o que esperar
O mercado agora aguarda os próximos passos do novo governo e as sinalizações sobre a política econômica que será adotada. A forma como o governo Lula lidará com as contas públicas, a inflação e a relação com o setor produtivo será crucial para determinar a trajetória futura da Bolsa brasileira e do câmbio. A volatilidade deve permanecer elevada nas próximas semanas, à medida que os investidores digerem as novas informações e buscam clareza sobre os rumos do país.



