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IA revoluciona recomendação de produtos e desafia varejo tradicional

21 de outubro de 2026
IA revoluciona recomendação de produtos e desafia varejo tradicional

Destaques

  • •Inteligência artificial (IA) como Claude e ChatGPT já são usadas por 38% dos americanos e europeus para escolher produtos, reduzindo o tempo de decisão de compra.
  • •Nova técnica de otimização, GEO (Generative Engine Optimization), busca inserir empresas diretamente nas respostas de IAs, mudando o foco de palavras-chave para a finalidade de uso.
  • •Varejistas brasileiras ainda estão longe de se adaptar à era da IA e ao comércio por agentes autônomos, enquanto 30% dos brasileiros com internet já usam IA para comparar produtos.

A inteligência artificial (IA) está transformando a maneira como consumidores escolhem produtos, prometendo análises rápidas e personalizadas que superam a experiência tradicional de compra em lojas físicas ou sites de e-commerce. Um teste prático com a IA Claude da Anthropic demonstrou a eficácia da tecnologia ao recomendar um tênis de corrida masculino tamanho 42, com amortecimento adequado e sem apertar os dedos, resultando em uma compra bem-sucedida e sem lesões.

O uso de plataformas de IA para recomendação de produtos é uma das aplicações mais acessíveis da tecnologia, disponível para todos os usuários, independentemente de planos pagos. Essa funcionalidade tem reduzido drasticamente o tempo entre o desejo de compra e a aquisição do item ideal, substituindo a necessidade de pesquisar extensivamente em sites e ler avaliações, que nem sempre são confiáveis. Essa mudança, no entanto, apresenta novos desafios para o varejo, que precisa encontrar formas de direcionar o consumidor certo para cada mercadoria em plataformas de IA fechadas.

O que é GEO e como funciona para as marcas

Para enfrentar esse novo cenário, surgiu o GEO, sigla para Generative Engine Optimization, uma técnica vista como um “irmão mais novo” do tradicional SEO (Search Engine Optimization). A ideia central do GEO é fornecer informações sobre produtos e serviços para que a IA auxilie o consumidor na escolha. Diferentemente do SEO tradicional, que foca em posicionar links para palavras-chave isoladas em motores de busca como o Google, o GEO visa inserir a empresa diretamente nas respostas geradas pelas plataformas de IA.

Thalita Tomé, diretora de marketing e receita da plataforma educacional Tera, explica que a IA generativa é probabilística, gerando respostas diferentes para a mesma pergunta e eliminando o conceito de ranking fixo. A métrica muda de “posição” para “percentual de menções” em conversas sobre um tema. Ela recomenda uma estratégia baseada em três pilares: SEO bem feito na base, conteúdo estruturado em lógica de pergunta e resposta, e sinais de confiança como menções à marca em fóruns, imprensa e outros sites.

Ludmilla Amaral, CEO da agência VCRP, complementa que plataformas como ChatGPT, Gemini e Claude consideram não apenas o que as marcas dizem sobre si, mas também o que é dito sobre elas em diversos canais, como redes sociais, blogs e veículos de imprensa. O volume de menções externas é crucial para que a IA recomende um produto. A especialista também destaca que a lógica mudou de palavras-chave para a “vocação de uso” do produto, pois é assim que o consumidor pergunta.

Adoção global e desafios para o varejo brasileiro

A recomendação de produtos por IA está se consolidando globalmente. Um levantamento da multinacional de engenharia Softtek indica que 38% dos americanos e 38% dos europeus que usam IA diariamente já recorrem à tecnologia para pesquisa de produtos ou decisões de compra. No Brasil, segundo estudo da EY, 30% das pessoas com acesso à internet já utilizam IA para comparar marcas e produtos.

Apesar da crescente adoção pelo consumidor, David Dias, sócio da consultoria EY, aponta que as empresas de varejo no Brasil ainda estão distantes de uma adaptação ideal à era da inteligência artificial e do comércio por agentes de IA. Muitos varejistas de porte médio estão focados apenas nas operações diárias, demonstrando uma desconexão com o comportamento do consumidor que já abraçou a tecnologia.

A próxima etapa dessa evolução é o comércio agêntico, onde agentes de IA atuam em nome dos consumidores para realizar compras diretamente, com mínima intervenção humana, como a aprovação de uma transação. Isso já é possível em algumas plataformas, como o Claude Cowork, para aquisição de móveis ou automação de compras de itens essenciais. Dias ressalta que a vantagem competitiva virá não apenas do domínio da tecnologia, mas da capacidade de se relacionar com o “cliente máquina”, entendendo os atributos e informações estruturadas que um agente de IA considerará em uma decisão de compra racional.

A IA cumpriu sua promessa ao facilitar a escolha de um tênis, mas levanta uma questão fundamental: se agentes de IA passarão a fazer nossas escolhas de compra, quem realmente está tomando as decisões – nós ou a inteligência artificial?

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