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IA revoluciona moda: modelos reais ameaçados por réplicas digitais e cortes de custo

29 de outubro de 2026
IA revoluciona moda: modelos reais ameaçados por réplicas digitais e cortes de custo

Destaques

  • •Inteligência artificial permite que marcas de moda criem imagens realistas de modelos, reduzindo custos em até 90% e levantando preocupações sobre o futuro da profissão.
  • •Contratos analisados pela Reuters revelam cláusulas que permitem a alteração de rostos, criação de 'gêmeos digitais' e uso de imagens para treinar IA, sem remuneração adicional para os modelos.
  • •A regulamentação avança lentamente, com a Lei dos Trabalhadores da Moda de Nova York proibindo a criação ou modificação de réplicas sem consentimento explícito a partir de junho de 2025.

A inteligência artificial (IA) está transformando a indústria da moda, permitindo a criação de imagens de modelos digitais que reduzem drasticamente os custos de produção para varejistas online. Marcas como Diesel, Calvin Klein e L'Oréal estão explorando o uso de IA para gerar modelos realistas, modificar fotos existentes e até criar "gêmeos digitais" de profissionais, o que representa uma ameaça à profissão de modelo e à sua fonte de renda.

O impacto financeiro e profissional da IA na moda

Modelos de IA podem gerar imagens realistas para lojas online, com custos até 90% menores em comparação com sessões de fotos tradicionais com modelos humanos. Essa eficiência tem levado empresas como a Zalando, maior varejista de moda online da Europa, a fechar estúdios fotográficos e eliminar centenas de postos de trabalho. A About You, por exemplo, lançou a Scayle Studios, que promete reduzir custos de produção em mais de 90% para outros varejistas, gerando centenas de milhares de imagens digitais por mês.

O vice-presidente de marketing da About You, Julian Jansen, destacou a economia gerada e a capacidade da IA de alinhar a velocidade do comércio eletrônico com a produção de imagens, algo que antes era um gargalo.

Contratos e a exploração de imagens de modelos

A Reuters analisou mais de uma dúzia de contratos confidenciais que revelam cláusulas preocupantes. Algumas marcas propõem o direito de alterar rostos, trocar feições entre modelos, criar cópias digitais para uso futuro sem pagamento adicional, e até usar imagens de modelos para treinar sistemas de IA. A Diesel, por exemplo, incluiu em uma proposta a autorização para "alteração ou reconstrução de características faciais e proporções corporais" e "troca de rostos entre os modelos participantes".

Um contrato preliminar da Calvin Klein previa o uso de imagens "razoavelmente irreconhecíveis" para treinar ferramentas de IA. Um porta-voz da marca afirmou que a empresa testa e aprende nesse ambiente em rápida evolução, seguindo regulamentações e respeitando os direitos dos modelos.

Ameaças e a busca por regulamentação

Modelos como Adot Gak expressam preocupação com a redução de trabalhos e o risco de serem substituídos por "robôs" em poucos anos. A falta de regulamentação clara sobre a propriedade e o uso de réplicas digitais de pessoas é um ponto crítico. A única legislação significativa até o momento é a Lei dos Trabalhadores da Moda do estado de Nova York, que, a partir de junho de 2025, proibirá a criação ou modificação de réplicas de modelos sem consentimento explícito.

A Model Alliance, organização que apoiou a lei de Nova York, defende regulamentações semelhantes em outros locais. No Reino Unido, a Associação Britânica de Agentes de Modelos elaborou um código de conduta que exige consentimento e garante a propriedade do "gêmeo digital" ao profissional, mas a falta de regras obrigatórias ainda deixa os modelos vulneráveis.

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