IA no mercado financeiro: como identificar fraudes com agentes autônomos

Destaques
- •Agentes de inteligência artificial exigem novas abordagens para detecção de fraudes no setor financeiro.
- •Uso de dados comportamentais e velocidade das transações são desafios para identificar atividades suspeitas.
- •Bradesco investe em soluções como o IDEBRA e aprimora a assistente virtual BIA para segurança e eficiência.
A crescente adoção de agentes de inteligência artificial (IA) no mercado financeiro demandará uma evolução nos métodos de identificação de comportamentos suspeitos e prevenção a fraudes. A avaliação é de José Claudio Filho, gerente de Inteligência de Negócios do inovabra, ecossistema de inovação do Bradesco. Ele ressaltou a necessidade de ampliar o uso de dados comportamentais e desenvolver novas abordagens para monitorar transações realizadas por sistemas autônomos, que apresentam padrões de comportamento distintos dos consumidores humanos.
Durante o TI Inside Innovation Forum 2026, José Claudio Filho explicou que, embora a IA já seja utilizada há anos em análise de risco e prevenção a fraudes, o avanço dos agentes autônomos adiciona complexidade. Esses sistemas não seguem horários ou protocolos tradicionais de compra e podem executar transações em velocidades muito superiores às de um consumidor. Isso exige que as instituições financeiras aprendam a distinguir transações legítimas de tentativas de fraude nesse novo cenário.
O papel do inovabra e o mapeamento de soluções
O inovabra atua na conexão entre empresas, startups e soluções tecnológicas, auxiliando organizações a encontrar ferramentas que atendam às suas necessidades. O ecossistema reúne mais de 300 startups e 30 corporações. Uma iniciativa recente foi o mapeamento de tecnologias para pagamentos agênticos, realizado pelo Radar Startup to Watch, que busca identificar soluções para adaptar jornadas de pagamento à utilização de agentes de IA.
José Claudio Filho destacou que o papel do inovabra é conectar organizações a tecnologias disponíveis e estimular discussões sobre as transformações necessárias para acompanhar a evolução do mercado. Ele também mencionou a experiência de dez anos do Bradesco com a BIA, sua assistente virtual, e que o banco já utiliza mecanismos capazes de validar transações em milissegundos, combinando informações para decisões complexas.
Dados comportamentais e a luta contra fraudes
Uma das principais tendências identificadas pelo inovabra é a expansão do uso de informações comportamentais na análise de transações. A aquisição da BioCatch pela Visa foi citada como exemplo do interesse do mercado por tecnologias que analisam dados além das informações financeiras tradicionais. A forma como um usuário interage com seu celular e outros sinais digitais podem contribuir para a identificação de comportamentos suspeitos.
Esse tipo de análise ganha importância com a participação direta da IA nas operações. O desafio é desenvolver mecanismos que reconheçam tanto os padrões de consumidores humanos quanto os comportamentos esperados dos agentes autônomos. Nesse contexto, o IDEBRA, projeto baseado em blockchain divulgado no final de 2025, busca disponibilizar recursos de identificação e autenticação associados à infraestrutura do Bradesco, ampliando as possibilidades de segurança nas jornadas digitais.
Reduzindo recusas indevidas e aprimorando a experiência do cliente
Além da prevenção a fraudes, José Claudio Filho apontou a importância de reduzir as barreiras que impedem pagamentos legítimos. Aproximadamente 15% das transações legítimas ainda são barradas por sistemas antifraude, e estimativas globais apontam cerca de US$ 400 bilhões em pagamentos bloqueados no e-commerce, contra US$ 40 bilhões em fraudes. Esses números evidenciam a necessidade de equilibrar segurança e experiência do consumidor.
A autenticação e a efetivação de pagamentos são oportunidades relevantes para inovação. A possibilidade de realizar transferências Pix diretamente pelo WhatsApp, sem sair da jornada de uso, é um exemplo de simplificação. O Bradesco obteve destaque em benchmarks recentes pela velocidade de suas operações Pix. A experiência ideal combina mecanismos sofisticados de autenticação, maior uso de dados e jornadas que minimizam o esforço do usuário, um desafio ampliado com a chegada dos agentes autônomos.
O que diz a pesquisa
Um estudo publicado na Brazilian Review of Finance em 2024 investigou o comportamento de Agentes Autônomos de Investimentos (AAI) de uma corretora, analisando se suas decisões são racionais ou influenciadas por atalhos mentais. Utilizando um questionário com 107 respostas de 280 AAIs, a pesquisa confirmou a presença de sete vieses e heurísticas, como aversão ao arrependimento (76%) e ancoragem (63%).
Os resultados destacam a importância de gestores e AAIs estarem cientes dessas influências para orientar a tomada de decisões. O estudo contribui para a literatura de finanças comportamentais ao identificar atalhos mentais relevantes nas decisões dos AAIs, oferecendo insights para aprimorar práticas de gestão e estratégias financeiras, com potencial impacto positivo nas decisões de investimento.
Pesquisa citada
- Heurísticas e vieses comportamentais dos agentes autônomos de investimentos
Brazilian Review of Finance · 2024



