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IA impulsiona economia global e afasta temores de desaceleração em 2026

29 de outubro de 2026
IA impulsiona economia global e afasta temores de desaceleração em 2026

Destaques

  • •Inteligência Artificial é vista como a tecnologia mais transformadora, com investimentos globais em IA previstos para ultrapassar US$ 650 bilhões em 2026.
  • •Economista Alexandre Drabowicz descarta bolha de IA, comparando o cenário atual ao da internet, e prevê retorno rápido dos investimentos.
  • •Apesar de riscos geopolíticos e inflacionários, a economia global deve crescer, com foco em autonomia estratégica, IA, defesa, energia e commodities.

As previsões de desaceleração da economia global em 2026, inicialmente associadas à crise do petróleo e ao fechamento do Estreito de Ormuz, foram ofuscadas pelo forte boom de investimentos em inteligência artificial (IA). Essa tendência, segundo o economista francês Alexandre Drabowicz, Chief Investment Officer (CIO) do Indosuez Wealth Management, braço global de private banking do Crédit Agricole, está impulsionando a produtividade e evitando uma contração econômica, especialmente nos Estados Unidos.

Drabowicz destaca que a IA é a tecnologia mais transformadora de nosso tempo e que seu impacto positivo na produtividade é inegável. Ele também aponta que outros fatores contribuíram para afastar os temores de recessão. Os efeitos dos choques tarifários já foram superados, e o fluxo de petróleo está sendo normalizado por rotas alternativas, o que deve estabilizar os preços da commodity. O executivo prevê apenas um corte de juros pelo Fed em novembro e uma inflação nos EUA próxima de 2,5% em 2027. Ele descarta o surgimento de uma bolha de IA, comparando o cenário atual ao da internet, onde a tecnologia em si não era a bolha, mas sim o valuation de algumas empresas.

IA impulsiona crescimento e afasta riscos

O investimento massivo em inteligência artificial, que deve ultrapassar US$ 650 bilhões em 2026, é um dos principais motores do crescimento econômico global projetado para 2027. Drabowicz ressalta que a IA não só impulsionará a produtividade, mas também criará novas oportunidades de adaptação socioeconômica. Países emergentes na Ásia, como China, Coreia do Sul e Taiwan, que abrigam os maiores fabricantes de semicondutores, são vistos como beneficiários diretos desse ciclo de investimentos.

Apesar de as grandes empresas de tecnologia estarem emitindo títulos para financiar esses investimentos — cerca de US$ 250 bilhões em 2026 e uma projeção de US$ 1 trilhão nos próximos quatro anos —, Drabowicz se mantém otimista. Ele acredita que o retorno desses investimentos ocorrerá mais rapidamente do que o mercado antecipa, citando como exemplo a empresa Anthropic, que, segundo ele, já é lucrativa e com margens elevadas.

Geopolítica e o futuro do petróleo

Os riscos globais, como geopolítica, inflação e política monetária, estão interligados. No entanto, Drabowicz vê a crise no Oriente Médio com tendência a diminuir, pois nem os EUA nem o Irã parecem ter interesse em escalar o conflito. Ele também informa que 80% do fluxo de petróleo que estava bloqueado no Estreito de Ormuz já foi normalizado através de rotas alternativas, com investimentos em andamento para ampliar essa capacidade. Essa normalização deve aliviar a pressão sobre os preços do petróleo e, consequentemente, sobre a inflação e os juros globais.

A economia dos EUA, contrariando previsões de desaceleração, deve ser sustentada pelo forte consumo e pelo ciclo de investimentos em IA. Drabowicz observa um paradoxo: o consumidor americano relata baixa confiança, mas continua gastando significativamente. Isso justifica a expectativa de apenas um corte de juros pelo Fed em novembro, com a inflação americana permanecendo em torno de 2,5% em 2027, o que é suficiente para evitar novas altas.

Mercados emergentes e a ascensão do Yuan

O Indosuez tem apostado em países asiáticos como mercados emergentes devido aos fortes investimentos em chips de IA, com valuations atrativos em comparação com os EUA. Países como Taiwan, Coreia do Sul e Singapura apresentam crescimento de lucros robusto. A Índia é vista como candidata ao protagonismo, mas a desvalorização da moeda e valuations elevados são entraves. A América Latina também ganha relevância como diversificadora, com destaque para Brasil, Peru, Chile, Argentina e Guiana, devido à produção de commodities e energia.

A China enfrenta desafios como a dependência de exportações e a pressão do estouro da bolha imobiliária. O governo chinês busca a internacionalização do yuan como alternativa ao dólar no comércio internacional, um objetivo estratégico de longo prazo. O Brasil já realiza cerca de 40% de seu comércio bilateral em yuan. No entanto, a China precisa aceitar uma apreciação gradual da moeda para atingir esse objetivo.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado na REVISTA FOCO em 2025, intitulado "O IMPACTO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO MERCADO DE TRABALHO E NA ECONOMIA GLOBAL", analisou os efeitos complexos da IA. A pesquisa bibliográfica e documental confirmou que a IA atua como um motor de crescimento econômico, com potencial de US$ 15,7 trilhões até 2030, mas também como fator de desigualdade. A implementação da IA exige ações coordenadas, como a requalificação profissional focada em hard e soft skills e a governança ética da tecnologia por governos e empresas.

O estudo conclui que a IA é a tecnologia central da transformação, demandando uma nova pactuação social para equilibrar inovação tecnológica com responsabilidade social e justiça. A análise baseou-se em fontes acadêmicas e institucionais, como PwC (2018) e Brynjolfsson & McAfee (2017).

Para 2027-2028, o tema central é a "autonomia estratégica", abrangendo IA, defesa, energia e infraestrutura, com necessidade de exposição a commodities como cobre e terras raras, vitais para a IA e defesa. A Europa, por exemplo, precisa assumir o controle de sua segurança, reduzindo a dependência militar dos EUA.

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