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IA: Governança e Valor são os Novos Desafios para Empresas

26 de outubro de 2026
IA: Governança e Valor são os Novos Desafios para Empresas

Destaques

  • •Adoção de IA avança mais rápido que a capacidade de governança corporativa.
  • •Governança de IA se torna estratégica para gerar valor mensurável e controlar riscos.
  • •Empresas precisam focar em redesenho de processos e competências para extrair valor real da IA.

A adoção de inteligência artificial (IA) pelas empresas atingiu um novo patamar, mas o foco principal para as lideranças corporativas agora se desloca da simples implementação para a geração de valor mensurável e o controle dos riscos associados. O Gartner IT Symposium 2026, em Orlando, destacou que, enquanto 71% das organizações planejam implementar IA agêntica nos próximos 12 meses, apenas 21% possuem diretrizes de governança estruturadas para lidar com esse avanço. Essa disparidade evidencia uma corrida tecnológica que supera a capacidade de supervisão e controle.

Governança como Habilitadora de Inovação

A governança de IA, antes vista como um obstáculo burocrático, agora é essencial para a inovação sustentável. O framework Value-Risk Flywheel, apresentado no evento, mostra que valor e risco evoluem juntos. Controles eficazes deixam de ser barreiras e passam a ser habilitadores para avançar com mais velocidade e segurança, comparado aos freios de um carro que permitem maior velocidade. A estrutura AI Central Bank propõe um modelo unificado para gerenciar custos, controles e responsabilidades, equilibrando inovação e segurança.

A descentralização da inovação, com áreas como jurídico e financeiro desenvolvendo suas próprias aplicações de IA, também eleva a necessidade de integrar a segurança desde o início dos projetos. Profissionais como Wellington Capitani, CISO da Zamp, alertam que “automatizar o caos” ocorre quando a implementação precede o conhecimento profundo dos processos. A abordagem de “shift left”, que antecipa atividades de segurança no ciclo de desenvolvimento, torna-se crucial, exigindo que a área de segurança esteja posicionada estrategicamente dentro do processo de inovação.

Transformação Real vs. Automação Pontual

A dificuldade em converter projetos experimentais de IA em resultados efetivos foi outro ponto de atenção. Muitas empresas ainda focam na automação de tarefas pontuais, mas a geração de impacto consistente exige mais: o redesenho de processos, o desenvolvimento de competências e a transformação da forma como as pessoas trabalham. Gustavo França, CIO global da Gerdau, apresentou o estudo DXi, que aponta que empresas de sucesso combinam estratégia de negócio, liderança, qualificação de talentos, governança robusta e transformação do modelo de negócios para obter valor expressivo.

A era de projetos de IA sem métricas claras está terminando. Com a expansão dos agentes de IA, a governança se consolida como a bússola para decisões, redução de riscos e aceleração de resultados. A vantagem competitiva não virá de quem tem mais agentes, mas de quem consegue governá-los com inteligência, transformando autonomia tecnológica em sustentabilidade.

Desafios de Mensuração e Perfil do Líder

A mensuração do retorno sobre investimento (ROI) em IA e segurança da informação também é um desafio. Enquanto projetos de IA podem ter mais flexibilidade experimental, a cibersegurança exige justificativas claras de valor. A dificuldade em demonstrar resultados e controlar custos operacionais, especialmente com modelos de IA generativa cobrados por token, é comum. Para Adriano Guarato, Diretor de Segurança Digital do Grupo Casas Bahia, a resiliência no varejo, com operações físicas e digitais integradas, exige que a segurança se conecte às prioridades do negócio, como vendas, recebimento e entrega. A IA contribui ao ampliar a capacidade de análise e investigação, mas a liderança precisa direcionar essa capacidade para proteger as jornadas do cliente e garantir a confiança.

O perfil do líder de segurança também evolui. Além do conhecimento técnico, competências comportamentais, comunicação e visão de negócio são essenciais. A formação de equipes deve equilibrar especialização técnica com habilidades de colaboração. O aprendizado contínuo é fundamental para compreender conceitos emergentes e dialogar com as equipes de implementação. A resiliência empresarial exige decisões compartilhadas, preparando a articulação entre tecnologia, operações, jurídico e liderança executiva antes de uma crise.

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