IA Facilita Golpes Digitais e Aumenta Desafio de Segurança em Aplicativos

Destaques
- •Inteligência artificial democratiza técnicas de ataque, permitindo golpes mais sofisticados e personalizados.
- •Aumento de fraudes digitais exige múltiplas camadas de segurança e educação cibernética para proteção de usuários e empresas.
- •Evolução contínua de defesas é crucial para acompanhar novas vulnerabilidades e técnicas de exploração.
A inteligência artificial (IA) está democratizando o acesso a técnicas de ataque cibernético, tornando golpes digitais mais convincentes e fáceis de executar, mesmo para indivíduos sem conhecimento técnico especializado. A afirmação é de Bruno Ortale, Head de Cibersegurança da Delfia, que alerta para a crescente velocidade com que os métodos de ataque se transformam, aproveitando vulnerabilidades em aplicativos e a vasta quantidade de informações disponíveis online.
Ortale explica que a IA permite que criminosos cruzem informações de diferentes ferramentas para planejar e executar ataques de forma mais rápida e eficaz. Técnicas que antes exigiam conhecimento técnico avançado agora podem ser replicadas com o auxílio de IA. Isso se torna um desafio significativo, pois o celular se consolidou como a principal porta de entrada para serviços financeiros, compras e interações com empresas, aumentando a superfície de ataque.
IA e a Sofisticação dos Golpes
O especialista destaca que a IA facilita a obtenção de informações sobre vulnerabilidades e a compreensão de como determinados golpes funcionam. Um exemplo recente é o uso de reconhecimento facial, que agora é alvo de técnicas de bypass que combinam dados pessoais expostos na internet, imagens e IA para simular movimentos faciais. Essa sofisticação exige que a proteção de aplicativos vá além de uma única camada de segurança.
Mecanismos de defesa mais robustos incluem a verificação da origem da imagem capturada pela câmera do dispositivo, análise de movimentos do usuário, oscilações durante o manuseio do celular e até mesmo o som ambiente. Quanto mais realista a tentativa de imitar uma pessoa, mais camadas de autenticação são necessárias.
Desafios na Jornada Digital e Comunicação
A complexidade da segurança digital se agrava pelo fato de que uma jornada digital raramente ocorre em um único ambiente. A segurança do aplicativo, do banco e a comunicação entre eles precisam ser protegidas para evitar que dados, como o destinatário de uma transação, sejam alterados.
O WhatsApp também se tornou um ponto vulnerável. Com informações sobre o usuário, seus relacionamentos e rotina, criminosos podem criar narrativas personalizadas para aplicar golpes. Ortale ressalta que, mesmo com o banco protegido, as pessoas continuam vulneráveis a ataques que exploram informações valiosas para planejar fraudes.
Educação Cibernética e Recomendações
A educação cibernética é apontada como um pilar fundamental na redução de golpes. A prevenção depende não apenas da evolução tecnológica, mas também do conhecimento dos usuários sobre como identificar fraudes. Pessoas mais preparadas para reconhecer abordagens suspeitas têm maior capacidade de evitar ações que comprometam seus dados e transações.
Uma recomendação chave é evitar tomar decisões sensíveis baseadas apenas em mensagens recebidas por canais de comunicação. Em caso de dúvida sobre uma solicitação, o usuário deve recorrer a um ambiente oficial, como o próprio aplicativo da instituição financeira, para confirmar a informação antes de agir.
Segurança em Ambientes Corporativos
Para empresas, o desafio é ainda maior, especialmente aquelas que utilizam aplicativos de mensagens para assuntos profissionais. É preciso considerar não apenas ataques externos, mas também fraudes internas envolvendo colaboradores. Criminosos podem se passar por gerentes de banco, fornecedores, colegas ou familiares, utilizando informações públicas ou vazadas.
Soluções de proteção e monitoramento podem ser aplicadas a dispositivos de uso profissional. Ortale enfatiza que, com o surgimento constante de novas vulnerabilidades e técnicas de ataque, a proteção deve evoluir em paralelo com os aplicativos. Para empresas com alto volume de usuários e transações, o acompanhamento de novas fraudes, a adição de mecanismos de defesa e a atualização contínua da segurança são essenciais, abrangendo desde o dispositivo e a identidade do usuário até APIs, canais de comunicação e informações.
"Um atacante precisa encontrar apenas uma falha que possa ser explorada. E essa falha nem sempre está em uma tecnologia sofisticada. Pode estar em uma configuração, em uma comunicação entre sistemas, no código do aplicativo ou em uma camada de autenticação. Não existe uma solução que torne uma empresa 100% segura. O que existe é a possibilidade de reduzir riscos, acompanhar a evolução dos ataques e tornar a proteção mais preparada para as novas formas de exploração", conclui Ortale.
O que diz a pesquisa
Um estudo publicado na CONTRIBUCIONES A LAS CIENCIAS SOCIALES em 2025 analisou o impacto de golpes e fraudes digitais nos cenários brasileiro e português. A pesquisa bibliográfica apontou um aumento notório nos registros de crimes cibernéticos no Brasil, com 426,8 mil em 2018, saltando para 2,1 milhões em 2024. Em Portugal, 74% dos condenados em 2018 por crimes cibernéticos aumentaram para 91% dos registros de casos em 2021. O estudo conclui que a educação é o caminho estratégico de mitigação para reduzir a vulnerabilidade dos usuários, promovendo conhecimento sobre golpes e fraudes digitais.
Pesquisa citada
- O impacto de golpes e fraudes digitais
CONTRIBUCIONES A LAS CIENCIAS SOCIALES · 2025



