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IA: Empresas adotam, mas poucas alcançam alto desempenho e lucro

05 de novembro de 2026
IA: Empresas adotam, mas poucas alcançam alto desempenho e lucro

Destaques

  • •Pesquisa global aponta que 88% das empresas usam IA, mas apenas 6% obtêm alto desempenho e impacto no lucro.
  • •Desafio atual é integrar IA para otimizar crescimento e operações, indo além da automação e reduzindo custos.
  • •Próximos passos envolvem redesenho organizacional e de processos para maximizar o valor econômico da tecnologia.

A inteligência artificial (IA) já é uma realidade operacional para a maioria das empresas, com 88% das organizações globais utilizando a tecnologia em pelo menos uma função de negócio, segundo pesquisa da McKinsey de 2025. No entanto, apenas cerca de 6% alcançaram alto desempenho, associando a IA a um impacto significativo no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBIT). Essa disparidade evidencia que a adoção da IA não se traduz automaticamente em transformação, e o principal desafio atual reside em como a tecnologia pode efetivamente mudar a forma como as empresas crescem, operam e geram valor, indo além da simples automação de tarefas para otimizar a produtividade e reduzir custos.

IA como Alavanca de Negócios e Redução de Custos

A inteligência artificial começa a dissociar o crescimento da estrutura de custos. Tradicionalmente, expandir vendas ou atendimento exigia o aumento proporcional de equipes. Com a IA, é possível aumentar a capacidade de atendimento por funcionário, reduzir o custo por cliente e agilizar respostas ao mercado, impactando diretamente a economia da operação. Uma pesquisa da Deloitte de 2026 apontou que 37% das organizações usam IA com pouca ou nenhuma mudança nos processos existentes, enquanto 34% relatam transformações profundas, incluindo mudanças em processos centrais, produtos, serviços ou modelos de negócio.

A IA permite que parte da capacidade da empresa cresça sem que custos e complexidade avancem na mesma velocidade. Quando uma organização consegue aumentar a quantidade de clientes atendidos por profissional, reduzir o custo de servir cada conta ou responder mais rapidamente ao mercado, a IA deixa de ser apenas uma ferramenta de produtividade e passa a interferir na economia do negócio. A Dell, por exemplo, reportou que servidores IA já representam US$ 95 bilhões em carteira de pedidos globalmente, com forte demanda no Brasil.

Desafios na Integração, Governança e Dados

A integração da IA em ambientes corporativos exige mais do que a tecnologia. Durante o evento Oracle AI Experience Brasil, especialistas destacaram a necessidade de estruturar processos, estabelecer governança e definir objetivos claros. André Lopes, engenheiro de IA da OpenAI no Brasil, comparou o modelo de IA ao motor de um carro de Fórmula 1: ele precisa de outros componentes para gerar resultados. Uma pesquisa da Microsoft revelou que apenas 22% dos tomadores de decisão concordavam que suas organizações documentaram os principais processos e suas dependências de dados, com aproximadamente 80% enfrentando dificuldades para compartilhar informações entre equipes, o que se torna um gargalo para sistemas baseados em agentes de IA.

A Sem Parar Corpay, por exemplo, migrou uma aplicação de IA da nuvem para infraestrutura privada, ampliando a análise de interações com clientes de 20% para 100%. A empresa também implementou um comitê de governança para evitar o uso descontrolado de IA (shadow AI), garantindo que todas as iniciativas passem por avaliação antes dos testes.

O Futuro: Desenho Organizacional e Valor Econômico

A vantagem competitiva futura não estará no acesso a modelos avançados de IA, mas na capacidade de combinar tecnologia, dados, processos e pessoas para gerar resultados econômicos. Empresas que conseguem integrar informações antes fragmentadas, aumentar a capacidade de suas equipes e criar experiências mais fluidas ao longo da jornada do cliente terão um diferencial. A próxima etapa da IA nas empresas será menos sobre adoção e mais sobre desenho, implicando rever processos, arquiteturas tecnológicas, estruturas organizacionais e responsabilidades.

A Oracle demonstrou um caso de uso onde uma atividade de pesquisa de mercado que levava quatro dias passou a ser realizada em 15-20 minutos com o uso de IA, exemplificando os ganhos de eficiência quando processos e tecnologia se integram. O objetivo é que a tecnologia não apenas acelere o que já existe, mas amplie a capacidade de gerar receita, atender melhor e crescer com mais eficiência, transformando a IA em uma alavanca de negócio.

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