IA em Compras: Empresas têm dados, mas sofrem com fragmentação e falta de contexto

Destaques
- •Empresas investem em IA e dados para Compras, mas enfrentam desafios de integração e qualidade de informação.
- •A fragmentação de dados em sistemas distintos impede que a IA gere inteligência confiável, impactando negociações.
- •Integração de etapas, unificação de cadastros e governança de dados são apontados como caminhos para o sucesso.
Apesar do alto interesse em Inteligência Artificial (IA) e análise de dados, muitas empresas de Compras enfrentam dificuldades em aplicar essas tecnologias de forma eficaz. Uma pesquisa do Gartner indica que 72% dos líderes de procurement veem tecnologias de dados e analytics como prioridade de investimento, e 68% focam em IA e IA generativa. No entanto, a IA generativa na área está na fase de "desilusão", segundo o relatório Hype Cycle for Procurement and Sourcing Solutions 2025, devido a problemas de integração, qualidade de dados e expectativas irreais.
O paradoxo dos dados fragmentados
O principal obstáculo não é a falta de informação, mas a sua distribuição em diferentes sistemas. "Existe um paradoxo em muitas empresas: elas têm dados demais e informação de menos. O registro existe, mas está em um sistema, a referência está em outro e o contrato está em uma pasta. A inteligência artificial não resolve sozinha esse problema estrutural", explica Carolina Cabral, CEO da Nimbi, plataforma brasileira de eProcurement e Marketplace B2B.
Essa fragmentação se manifesta de diversas formas: requisições em uma ferramenta, cotações por e-mail, pedidos no ERP e contratos em repositórios separados. O mesmo fornecedor pode ter cadastros duplicados ou inconsistentes em diferentes sistemas, levando áreas distintas a obterem números diferentes para a mesma pergunta.
Riscos da falta de contexto para a IA
Para a IA, essa dispersão de dados significa falta de contexto. "O risco não é só a IA não responder. É responder com metade da informação e parecer completa. Uma negociação preparada com um número parcial parte de uma premissa errada", alerta Cabral.
O estudo 2026 Procurement Key Issues, do The Hackett Group, reforça essa discrepância. Embora 43% das organizações busquem ativamente implantar IA em Compras, quase o dobro do ano anterior, a escala das iniciativas ainda é limitada, concentrando-se em processos transacionais.
O caminho para a maturidade em IA
A diferença entre empresas que avançam e as que ficam para trás é notável. A Global CPO Survey 2025, da Deloitte, revela que as organizações classificadas como "Digital Masters", com maturidade tecnológica e equipes preparadas, obtêm um retorno médio de 2,8 vezes sobre investimentos em IA generativa, contra 1,6 vez das demais.
Para a Nimbi, o avanço passa por três frentes essenciais: integrar as etapas da jornada de compras (requisição, cotação, pedido, contrato), unificar o cadastro de fornecedores e estabelecer regras claras de governança sobre o acesso às informações. "A empresa não precisa resolver tudo de uma vez nem trocar todos os sistemas. Precisa garantir que requisição, cotação, pedido, contrato e fornecedor estejam ligados entre si. É essa ligação que dá à IA o contexto para gerar respostas confiáveis", conclui a executiva.



