IA e Planejamento: Varejo se Prepara para Black Friday com Ofertas Personalizadas

Destaques
- •Consumidores já iniciam pesquisa e definem listas de compras para a Black Friday, exigindo planejamento antecipado do varejo.
- •Inteligência Artificial será crucial para personalizar ofertas, segmentar clientes por histórico de compras e otimizar a comunicação.
- •Varejistas devem focar em estratégias que vão além do desconto, considerando margem, papel do produto e correlação com datas sazonais.
Com a Black Friday se aproximando, o varejo brasileiro intensifica o planejamento para garantir um atendimento de qualidade e maximizar as vendas. Uma pesquisa do Google/Offerwise revela que 44% dos consumidores já iniciaram a busca por preços e condições, enquanto 48% já possuem uma lista de compras definida para a data.
Essa antecipação por parte dos consumidores exige que as empresas também se adiantem em suas decisões estratégicas. É fundamental olhar para aspectos como estoque, precificação, mix de produtos e o relacionamento com os clientes. Rodrigo Bidinoto, Global Senior Sales Director da ActiveCampaign, alerta que confundir desconto com estratégia pode comprometer a percepção de valor da marca a longo prazo.
Estratégias de Oferta e Produtos
O especialista sugere que os varejistas analisem, inclusive por meio de campanhas promocionais ao longo do ano, quais produtos se alinham melhor à estratégia comercial. A escolha deve considerar não apenas o giro de estoque, mas também a capacidade de atrair novos clientes e incentivar compras futuras. A Inteligência Artificial (IA) surge como ferramenta essencial para personalizar ofertas.
Bidinoto destaca a importância de pensar em dois tipos de produtos: os de atração, que podem trazer clientes para a marca e gerar novas compras ao longo do tempo, e os sazonais. Como a Black Friday ocorre perto do verão, férias, Natal e Ano Novo, é possível criar correlações entre esses períodos para otimizar as vendas.
Personalização e Comunicação Eficaz
A definição dos produtos promocionais também deve levar em conta a margem de lucro e o papel de cada item na operação. Um produto com preço mais competitivo pode servir como porta de entrada para novos consumidores, enquanto outros podem ser oferecidos com benefícios adicionais, serviços ou condições de pagamento diferenciadas, sem depender exclusivamente de descontos.
Uma falha comum no varejo é aplicar a mesma promoção para toda a base de clientes, ignorando o histórico de compras e os interesses individuais. "Se eu não tenho interesse em determinados produtos, a probabilidade de eu ser impactado com uma oferta de uma televisão nova, sendo que comprei uma há um mês, não faz nenhum sentido", exemplifica Bidinoto.
O excesso de comunicação também pode diminuir a efetividade das campanhas. Além de definir o que oferecer, o empresário precisa avaliar a frequência, o canal e o momento ideal de contato com cada público. "Tem que ter um equilíbrio muito bem entre quantidade de mensagens, segmentação e o momento certo para efetivá-la", afirma.
O Papel da Inteligência Artificial
A IA se posiciona como uma ferramenta poderosa para analisar dados e tornar as campanhas mais específicas. Em vez de segmentar apenas grandes grupos de consumidores, o varejista pode usar informações sobre histórico de compras e comportamento para identificar produtos complementares e criar ofertas personalizadas para cada perfil.
Esse movimento ganha força diante de um consumidor cada vez mais preparado e propenso a comparar alternativas. Segundo levantamento do Google, 41% dos consumidores pretendem gastar mais em 2026 do que no ano anterior. "A gente consegue ter segmentação por histórico de compra. Baseado no seu histórico, consigo oferecer determinados produtos que tendem a ser um cross-sell daquilo que você tem mais interesse", conclui Bidinoto.



