IA e boias acústicas ajudam a proteger orcas ameaçadas de extinção no Mar de Salish

Destaques
- •Novas tecnologias de IA e boias acústicas são implementadas para monitorar e proteger as orcas residentes do sul, uma população ameaçada de extinção.
- •O ruído subaquático e o risco de colisão com embarcações são as principais ameaças, impactando a capacidade de caça e comunicação das baleias.
- •O objetivo é fornecer dados em tempo real para alertar navegantes e apoiar a gestão da vida selvagem, com potencial de expansão para outras espécies.
Setenta e seis orcas residentes do sul, uma população ameaçada de extinção, chegaram ao Mar de Salish em setembro, transitando pelo Estreito de Admiralty em direção a Puget Sound, em Washington. Essas baleias, que dependem do salmão Chinook para sua alimentação, enfrentam sérias ameaças devido à poluição sonora gerada pelo tráfego marítimo intenso e ao risco de colisão com embarcações. O ruído subaquático afeta diretamente sua capacidade de caçar, se comunicar e usar a ecolocalização, enquanto as embarcações representam um perigo fatal.
O impacto do ruído subaquático
O ruído subaquático é uma ameaça constante para as orcas residentes do sul. Segundo Rachel Aronson, diretora de programas da Quiet Sound, o barulho dificulta a localização de presas, levando a gastos de energia sem sucesso na caça ou à desistência completa. Um estudo de 2024 indicou que, para cada aumento de um decibel no ruído, a probabilidade de fêmeas perseguirem presas diminui em 58%, e a de machos e fêmeas capturarem presas cai 12,5%.
A situação é particularmente crítica em Washington, um estado com forte dependência do comércio exterior, onde 40% dos empregos estão ligados a essa atividade. Equilibrar as indústrias marítimas com a conservação da vida selvagem é um desafio complexo.
Iniciativas para reduzir o impacto marítimo
Em resposta a esses desafios, a Quiet Sound implementou em 2022 um programa voluntário de redução de velocidade para navios em um trecho de 32 quilômetros nas entradas dos portos de Seattle, Tacoma e Everett. Navios mais lentos geram menos poluição sonora. Até o momento nesta temporada, a taxa de participação no programa voluntário é de 73%, e o ruído subaquático diminuiu em até 50%.
Para aprimorar o monitoramento e a proteção das orcas, a Quiet Sound fez uma parceria com a SMRU Consulting e a Microsoft para lançar uma boia acústica equipada com inteligência artificial (IA). O objetivo é detectar a presença das baleias em tempo quase real.
Tecnologia de IA para monitoramento
A SMRU Consulting desenvolveu boias inteligentes desde 2014, que monitoram a vida selvagem em diversas regiões. A parceria com a Microsoft visa testar a capacidade da IA a bordo de uma boia em identificar corretamente os sons emitidos por orcas e baleias jubarte. A Microsoft equipou uma boia com o Water SPARROW, uma IA para monitoramento da vida selvagem que processa áudio e dados de sensores para identificação de espécies.
Uma boia acústica e de comunicação (CAB) foi posicionada no Estreito de Haro. O sistema, que inclui três hidrofones, está em uma fase de teste para comparar a precisão da detecção de IA com o sistema da SMRU. Os resultados iniciais são encorajadores, com a redução de falsos positivos, permitindo que o Water SPARROW opere como um sistema de detecção funcional.
Próximos passos e expansão
Embora a boia ainda não esteja enviando dados para o WRAS (Sistema de Alerta e Relatório de Baleias) devido ao risco de falsos positivos, espera-se que isso mude em breve. O WRAS utiliza diversos métodos de detecção para alertar navegantes sobre a localização das baleias, prevenindo colisões.
Um dos objetivos da Microsoft é fornecer mais informações sobre os padrões sazonais das orcas para apoiar a gestão da vida selvagem. Há também o plano de tornar o Water SPARROW de código aberto, ampliando seu uso por ambientalistas e em outras boias compatíveis. A conservação das orcas residentes do sul, segundo a Microsoft, depende da implementação em maior escala dessas tecnologias.

