IA avança em matemática e levanta dúvidas sobre segurança de criptografia
Destaques
- •Inteligência artificial demonstra capacidade de resolver problemas matemáticos complexos, gerando preocupação sobre a segurança de sistemas de criptografia.
- •Órgãos reguladores, como a FCA no Reino Unido, alertam empresas financeiras sobre a necessidade de revisar métodos de criptografia diante dos avanços da IA e computação quântica.
- •Empresas e instituições financeiras, incluindo o Inter no Brasil, começam a estudar e desenvolver mecanismos de criptografia mais avançados para se proteger de futuras ameaças.
A crescente capacidade da inteligência artificial (IA) em solucionar problemas matemáticos complexos está levantando preocupações sobre a segurança dos sistemas de criptografia que protegem dados sensíveis, desde contas bancárias até informações confidenciais de empresas e governos. O temor é que os métodos atuais de proteção digital se tornem vulneráveis, forçando uma revisão estratégica por parte de instituições financeiras e empresas de tecnologia.
A Financial Conduct Authority (FCA), autoridade de supervisão do mercado financeiro do Reino Unido, já emitiu alertas às empresas sobre a necessidade de revisar seus métodos de criptografia, conforme reportado pelo Financial Times. A preocupação se intensificou após a OpenAI, criadora do ChatGPT, divulgar centenas de trabalhos matemáticos resolvidos com o auxílio de seus modelos de IA, o que gerou críticas de organizações como a Association for Human Mathematics.
O avanço da IA e a matemática por trás da segurança
A segurança de grande parte dos sistemas modernos de criptografia, como o algoritmo RSA, baseia-se na dificuldade de realizar certas operações matemáticas, como a fatoração de números primos muito grandes. Embora multiplicar esses números seja simples, descobrir os fatores originais a partir do resultado é uma tarefa árdua para computadores convencionais. Essa complexidade é fundamental para a proteção de informações transmitidas pela internet.
Se novas ferramentas de IA conseguirem executar essas operações com maior eficiência, a infraestrutura de segurança digital pode precisar ser substituída. Embora ainda não haja evidências de que a IA tenha quebrado os principais métodos de criptografia, a tecnologia já impactou a segurança cibernética. Recentemente, vulnerabilidades na linguagem de programação PHP, amplamente usada no desenvolvimento de sites, foram identificadas em parte por modelos de IA da OpenAI e do Google, levando empresas a corrigirem falhas.
Computação quântica: uma ameaça paralela
A discussão sobre a segurança da criptografia ganha ainda mais força com o avanço da computação quântica. Diferentemente dos computadores convencionais, máquinas quânticas utilizam princípios da física quântica para realizar cálculos específicos, com potencial para superar os sistemas tradicionais. Um computador quântico suficientemente poderoso poderia comprometer algoritmos criptográficos amplamente utilizados.
Embora computadores quânticos ainda estejam em fase de desenvolvimento, o progresso nas pesquisas motiva autoridades e empresas a se anteciparem. No Reino Unido, a FCA está testando uma ferramenta de supervisão com 50 grandes instituições para avaliar sua preparação para os novos riscos e pretende divulgar orientações para mais de 35 mil companhias de serviços financeiros.
O impacto no Brasil e os próximos passos
O tema também começa a ser discutido no Brasil. Alberto Leite, fundador do Grupo FS, alertou durante o NeoSummit "IA na Real" que a computação quântica poderá comprometer os mecanismos de proteção digital. Ele destacou que as empresas enfrentam dificuldades para testar suas defesas, pois os computadores quânticos disponíveis são experimentais.
O Inter também demonstra atenção à questão. Durante o lançamento do Inter Science, hub de pesquisa do banco focado em IA, blockchain e computação quântica, Bruno Grossi, head de ativos digitais, mencionou que uma das frentes de estudo envolve o desenvolvimento de mecanismos de criptografia mais avançados. A expectativa é que, com o avanço dessas tecnologias, novas soluções de segurança sejam implementadas para garantir a proteção de dados no futuro.



